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Review | The Witcher – 1ª Temporada

The Witcher, nova série da Netflix não é um Game of Thrones, e nem deveria ser...

Em 2018, após uma sequência de rumores, a Netflix finalmente anunciou que estava produzindo uma série de The Witcher, franquia mitológica de livros criada pelo polonês Andrzej Sapkowski que também marca presença com grande sucesso nos games, tendo como o mais famoso seu último título, The Witcher 3 Wild Hunt, lançado em 2015. Desde o seu anúncio até sua estreia, criou-se uma expectativa muito grande pela produção, tanto pelos fãs da franquia – ansiosos para ver Geralt de Rívia em carne e osso na pele de Henry Cavill – mas muito mais por aqueles que não a conhecia, que viam na série a substituta perfeita da “finada” Game of Thrones. Tendo feito sua estreia, The Witcher agradou a muitos, mas desapontou a muitos também, e uma de suas principais críticas é por nada se parecer com a famosa produção da HBO.

Afinal, isso é ruim? Bom, em termos de grandiosidade de produção, sim, uma vez que a série da HBO nada devia para um grande filme blockbuster de Hollywood, e a nova série da Netflix não chega perto disso, embora seja extremamente bem trabalhada. Porém, em termos de história e trama, não, Game of Thrones já nos deu o melhor de sua fantasia sombria e política, não precisamos de outra agora nos mesmos moldes, as vezes fantasia é só fantasia, com poderes, personagens caricatos e monstros medonhos, e The Witcher nos dá um prato cheio dessas anomalias.

The Witcher acompanha a jornada de Geralt de Rívia – na melhor performance de Henry Cavill – que desde criança passou por treinamentos pesados numa escola de bruxos, sofrendo inúmera mutações e experiências que lhe deu capacidade mental e física sobre-humanas, tornando-se um bruxo guerreiro e dominador da arte da magia. Geralt é um mercenário que troca suas habilidades especiais por dinheiro para sobreviver, fazendo o trabalho que nenhum humano tem coragem, caçar monstros.

Além de Geralt, a série acompanha o arco de duas personagens importantíssimas para o andar da trama, Yennifer (Anya Chalotra) e Ciri (Freya Allan). Yennifer tem um arco mais sério e profundo, o desenrolar de sua origem a torna a personagem mais interessante da série, muito pela grande atuação de Anya e por entendermos seus objetivos e suas convicções depois de todo o sofrimento suportado por ela. Ciri, por outro lado, é a personagem chave da trama, que praticamente move todos os núcleos da série, principalmente o de Geralt e sua busca por ela. Ciri é uma criança indefesa, mas que guarda uma grande força sobrenatural dentro de si que ainda não a domina.

Há outros personagens que, embora sejam secundários para a trama, roubaram algumas das poucas cenas em que apareceram. É o caso de Jaskier (Joey Batey), o músico e acompanhante de Geralt em suas jornadas que serve como alívio cômico para a trama. Também temos a maga Tissaia (MyAnna Buring) e sua imponência e seriedade, além de sua importância crucial para o arco de Yennifer.

A trama de The Witcher se propõe em seguir três núcleos distintos em três diferentes linhas temporais, o modelo escolhido é interessante e instiga o espectador a continuar assistindo, porém, pode causar uma certa confusão ao decorrer dos episódios, uma vez que personagens mortos voltam a aparecer em outros núcleos. A série simplesmente não se preocupa em guiar o espectador para se atentar as linhas temporais da trama, mesmo que sutilmente.

A construção de universo, apesar de visualmente bonito e fiel ao contexto medieval seja nos cenários ou no figurino, peca bastante por não explicar diversos termos, ações, criaturas e até personagens importantes para a história deste universo. É como se a série acreditasse que todos os que a assistem têm um conhecimento prévio dos livros ou dos games da franquia, não se importando com os novatos de primeira viagem. Isso gera um desconserto no espectador e, consequentemente, um certo desinteresse em alguns pontos da trama, deixando-a menos interessante.

Um dos pontos fortes da série com certeza são suas sequências de ação, todas as lutas são fluídas e realistas, principalmente as que envolve o protagonista Geralt, já que o ator Henry Cavill fez questão de gravar todas as cenas sem uso de dublês. As batalhas maiores também são boas e mesclam muito bem o uso da magia com as lutas corporais, o único problema está relacionado com a geografia do local, você não entende bem aonde essas batalhas se passam ou onde cada personagem está e a distância de um para o outro, fica um pouco confuso, mas ainda assim agrada.

The Witcher entrega boa primeira temporada, talvez um pouco abaixo do esperado e não porque é diferente de Game of Thrones, na verdade, essa diferença é o que a torna mais atrativa, por focar em um universo mais fantasioso e menos político. Os personagens são carismáticos e os atores estão muito bem em seus papéis, as cenas de ação com espadas e magias são extremamente empolgantes O problema mesmo é que a série peca na construção de universo, algumas criaturas simplesmente são jogadas no meio da trama para que Geralt possa enfrenta-las e você não entende exatamente o porquê de estarem ali e o que elas são. Diversos conceitos e elementos cruciais para o desenvolvimento da trama não são explicados e por vezes você irá se sentir perdido, afetando bastante o envolvimento e o interesse com a história.

Nota

Bom

3

Indo numa vertente mais fantasiosa, The Witcher entrega boa primeira temporada, com personagens carismáticos e ótimas cenas de ação, mas se perde em sua construção de universo por não explicar conceitos e elementos cruciais para o desenvolvimento de suas histórias.

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Wemerson Gomes

Seguidor da cultura geek. Marvete e DCnauta. Viajante da galáxia e um sobrevivente da montanha da perdição.

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