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Crítica | Coringa, uma trama forte e violenta do maior vilão da DC

Coringa é um filme que divide opiniões e dispensa comentários, com um gatilho emocional forte e violência não só física vem nos mostrar na íntegra a sociedade em que vivemos.

Logo que o trailer foi lançado a expectativa ficou dividida entre quem gostou e quem não. O tempo se passou e finalmente o filme veio para as telas mas não antes de ganhar um prêmio em Veneza e dividir ainda mais a crítica. Em sua pré-estreia vários meios de comunicação criticaram o filme chamando-o de malicioso, incel e perigoso.

Está crítica NÃO contém spoilers.

É tudo isso que falaram?

Uma das coisas que mais devemos observar é a época em que se vive para se lançar um filme considerado ousado. Se pegarmos filmes como Laranja Mecânica(1971), Taxi Driver(1976) ou Clube da Luta(1999), por mais clichê que possa parecer são filmes que vieram em épocas a dar algum tipo de aviso e Coringa não seria diferente. Essa ousadia é um dos elementos que faz com que esse tipo de filme seja tão bom. Coringa não seria diferente de nada disso, o estranho é chamar de perigoso mas ter aplaudido  os outros filmes citados e, inclusive existem referências a alguns deles em Coringa. Esse filme é uma amostra clara do que estamos passando no momento, mas vamos falar disso um pouco mais para frente.

O que é bom?

O filme é um espetáculo em sua essência, a atuação de quase todo o elenco é incrível, com destaque, é claro, para Joaquin Phoenix que não interpretou, mas, viveu o personagem na tela. A narrativa do filme é boa e leva quem estiver assistindo a imergir naquele lugar que, parando para observar, é facilmente confundido com os grandes centros urbanos de muitos lugares na vida real. Sem muito recurso financeiro os produtores ainda sim conseguiram trazer até nós uma história que pode vir a acontecer com qualquer um especialmente nos dias em que estamos vivendo. Ele se passa aproximadamente no final da década de 70 e entrando na de 80 e é possível perceber isso não apenas no logo da Warner Bros. mas também na cidade em si, nos estilos das pessoas e estilo de preconceitos existentes. O tom do filme já mostra que não se trata de um filme de herói, até mesmo as piadas existentes fazem com que nos sintamos meio culpados por estarmos rindo daquilo. Os tons de cinza vão dando ao filme um aspecto não só de antiguidade mas também de tristeza e apreensão somados a uma trilha sonora que prende o telespectador de uma forma incrível. Ele vai nos levando dentro de um universo caótico e vai nos mostrando como é feita a criação e formação daquele personagem que virá a se tornar um dos vilões mais icônicos das histórias em quadrinhos e do cinema. Mas essa transição não vem de forma bonita, ela é dolorosa, ela machuca; é cheia de idas sem voltas em uma cidade que por si só já corrompe quem mora nela. Nós somos levados a ver uma dor que só cresce em Arthur Fleck e isso é o que vai fazendo a transição acontecer. Quando ele vai percebendo que ninguém na cidade quer ajudar, todos só pensam em si e os mais ricos sempre vão pisando e fazendo piada dos mais pobres, Arthur chega a uma conclusão de que abraçar a loucura é a melhor solução.

O que não é bom?

Existem duas interpretações que não ficaram legais no filme, inclusive um determinado personagem pode até passar despercebido por olhos desatentos e um outro personagem não sabe muito bem como reagir a uma morte parecendo talvez até que esteja comemorando.

Ambiguidade

O filme é quase todo ambíguo levando a várias interpretações, várias formas de se ver que pode deixar quem assiste do lado do personagem principal até certo ponto ou não. Não se tem certa noção do que é real ou não e quando a gente espera que tudo vai dar certo, uma pequena cena ou um pequeno comentário nos deixa bem malucos quase tanto quanto o protagonista.

Considerações finais

Coringa é um filme que divide opiniões e dispensa comentários, com um gatilho emocional forte e violência não só física vem nos mostrar na íntegra a sociedade em que vivemos, os personagens foram colocados dentro da trama de forma a nos fazer pensar, querer lembrar e brincar com o que sabemos dos personagens apresentados deixando no final uma pergunta: Será que tudo isso foi real de fato?.

Nota:

4.0

4.0

Coringa é um filme que divide opiniões e dispensa comentários, com um gatilho emocional forte e violência não só física vem nos mostrar na íntegra a sociedade em que vivemos, os personagens foram colocados dentro da trama de forma a nos fazer pensar, querer lembrar e brincar com o que sabemos dos personagens apresentados deixando no final uma pergunta: Será que tudo isso foi real de fato?.

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Ludinei Neves

Estudante de Análise e Desenvolvimento de Sistemas e futuro estudando de Letras baseada em traduções, criação de roteiros e etc. Nerd desde o nascimento sonha com a disseminação da leitura pelo mundo. Um amante da cultura em si, um buscador da resposta vital para a vida, o universo e tudo mais. Amante de quadrinhos e da cultura dos vídeo games, apaixonado por Magic the Gathering e também adora livros, RPG, Holy Avenger e Pipoca e Nanquim.

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