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Cantando na Chuva | Faça chuva ou faça sol esse clássico ainda é o melhor musical já produzido

Cantando na Chuva é um filme que usa a História, o Romance, Músicas e Humor.

  • Data de lançamento: 30 de junho de 1952 (1h 42min)
    Direção: Stanley Donen, Gene Kelly
    Elenco: Jean Hagen, Gene Kelly, Debbie Reynolds
    Gêneros: Comédia Musical, Comédia
    Nacionalidade: EUA

    Com certeza o cinema é maior e mais importante criação da humanidade. A única coisa que te permite conhecer o futuro e relembrar o passado, te permite conhecer outros mundos ou universo inimagináveis, nos permite rir, chorar, arrepiar, gritar e até mesmo se emocionar. E se existe um filme que resume todo esse universo, com certeza é “Cantando na Chuva”.

    Cantando na Chuva é um filme que usa a História, o Romance, Músicas e Humor. O longa se trata de um filme dentro de um filme que se passa em 1927 quando Don Lockwood (Gene Kelly) e Lina Lamont (Jean Hagen) são dois dos astros mais famosos da época do cinema mudo em Hollywood. Então, vem com a gente da Nerds para entender como Cantando na Chuva retratou um dos principais períodos de transição da história do cinema (do silêncio ao som) e ao mesmo tempo fez críticas a sua própria época, a tão famosa Era de Ouro de Hollywood.

    Cantando na chuva foi lançado em 1952, na Era de Ouro de Hollywood, pela Metro-Goldwyn-Mayer (ou MGM), que dominava as telas de cinema naquela época. Esse foi um período da história do cinema em que as equipes criativas por trás dos filmes trabalhavam frequentemente para os mesmos estúdios – por exemplo, o compositor Alfred Newman foi contratado pela 20th Century Fox – e o mesmo acontecia com os atores – a MGM se vangloriava por ter em sua folha de pagamento “mais estrelas do que havia no céu”. E um paralelo interessante foi traçado entre esse momento histórico e o filme, ao retratar que apenas Don Lockwood e Lina Lamont eram os rostos estampados em todos os filmes de sua produtora e o quanto o produtor sentia medo de desagradá-los e, assim, consequentemente perdê-los. Essa estrutura fechada impedia que outras pessoas com talento – talvez até mais talento que os antigos – como Kathy Selden (Debbie Reynolds), pudessem ingressar na indústria.
    Por isso, o diretor sede as chantagens da malvada Lina Lamont e faz todas as vontades da atriz.

    Ainda na Era de Ouro, era comum a promoção quase forçada de atores hollywoodianos ao estrelato. Os estúdios selecionavam jovens com potencial para se tornarem estrelas e os “moldavam” para personificar o glamour de Hollywood, criando novas personalidades para eles, às vezes até inventando nomes e histórias de vida. Logo no começo do filme, num tom humorístico, Don Lockwood conta aos fãs sua “verdadeira trajetória” enquanto vemos leves trechos de como isso realmente ocorreu. O foco desse sistema estava na imagem dos atores, não na atuação. As revistas e jornais relatavam aquilo que todo mundo queria ver: A esperança de que o romance do filme atravesse a tela do cinema para a vida real. A “existência” de um relacionamento mais íntimo entre as duas estrelas, o que na realidade não existia, se tratava – e ainda se trata – de Marketing.

    Até aí tudo bem, mas existia um detalhe muito importante nos filmes que eram produzidos: o silêncio. Filmes mudos eram – e são – facilmente adaptáveis e de custo baixo. Requeria alguns intertítulos traduzidos e pronto. Por conta disso o cinema se alastrou de forma rápida e universal. Até ai tudo estava bem para o prepotente Don Lockwood e a maldosa Lina Lamont. Eles podiam discutir tranquilamente durante as filmagens, já que ninguém podia ouvi-los. Mas como o mundo se trata de uma grande competição, logo a Warner Bros produziu o primeiro filme falado da história: “O Cantor De Jazz”, através do sistema sonoro Vitaphone (Fatos reais aqui galera). Isso fez com o público adquirisse uma sede insaciável por mais filmes falados e quem quisesse permanecer no mercado cinematográfico precisava se adaptar. Então, por que não superar a Warner Bros criando um filme não apenas falado, mas também cantado.

    Assim Don, sua namorada Kathy Selden (Debbie Reynolds) e seu melhor amigo Donald O’Connor (Cosmo Brown) têm a brilhante ideia de transformar o fracasso que foi seu último filme em algo que todos amariam: um musical. O único problema era a voz de taquara rachada da grande estrela Lina Lamont. Então, talvez vocês se perguntem “Por que eles não apenas despedi-la?” Porque como eu disse, as produtoras – em especial as grandes – eram muitas seletas e restritas com seus funcionários, ou seja, uma vez no time, para sempre no time.

    A solução logo surge com a voz encantadora de Kathy, entretanto, por não ser famosa e não fazer parte da equipe, ela não pode aparecer nos filmes. Assim, ela apenas cede sua voz à cruel Lina. Triste, não é? Mas Don não desiste de tentar ajudar sua amada a encontrar seu lugar em Hollywood.

    Cantando na chuva é suave e profundo em suas críticas e reflexões, nos levando a raciocinar e entender como várias esferas da vida realmente funcionavam e ainda funcionam. Além disso, as músicas são tão envolventes que, mesmo sem saber a letra, sentimos vontade de cantar e dançar também porque as músicas se adequam com as cenas, transportando o telespectador para dentro daquele cenário. Relata a importante história de Hollywood de uma forma coerente, coesa e divertida.

    Cantando na Chuva faz parte do gênero musical conhecido como “Musicais Ups”, um gênero musical teve seu momento de glória nos anos 1940/50/60, períodos referentes à Crise Econômica Americana, Segunda Guerra Mundial e início da Guerra Fria, e que expõem uma temática alegre e divertida com o típico final feliz. É um filme contagiante do início ao fim e muito bem coreografado, não se trata apenas de dançar e cantar, os atores, especialmente Gene Kelly, fazem muito uso de expressões faciais. É como se o rosto tivesse vida própria e se adequasse a cada situação, nos deixando completamente boquiabertos.

    Mesmo sendo um dos primeiros musicais a ser produzido num período em que a tecnologia era escassa, Cantando na chuva superou expectativas, um filme simplesmente fenomenal.

    Agora, dê uma checada em algumas curiosidades sobre o longa:

    • “Singin’ in the Rain” foi usada cinco vezes em filmes antes de Cantando na Chuva.
    • Indicado a 2 Oscars: Melhor Atriz Coadjuvante (Jean Hagen) e Melhor Trilha Sonora para um Musical. Vencedor do Globo de Ouro de Melhor Ator em Comédia/Musical (Donald O’ Connor). Foi ainda indicado a Melhor Filme Comédia/Musical.
    • A chuva que aparece no filme enquanto Gene Kelly canta “Singin’in the rain” na verdade não é apenas água, mas sim uma mistura de água com leite. Além disso, Gene Kelly estava com febre durante as filmagens da famosa cena em que canta “Singin’in the rain”.
    • Ocupa a 1ª posição da lista de 25 Maiores Musicais Americanos de Todos os Tempos, idealizada pelo American Film Institute (AFI).
    • O filme traz uma questão sobre a voz de Kathy Seldon dublando Lina Lamont. No entanto, em algumas canções, Debbie Reynolds (atriz que interpreta Kathy) foi dublada por Betty Noyes.
    • Elizabeth Noyes Hand foi uma cantora e atriz mais conhecida por dublar dois números de Debbie Reynolds no filme de 1952, Singin ‘in the Rain.
    • Quando a personagem Lina Lamont diz suas falas na tela, é a própria Jean Hagen que solta a voz que, ao contrário da de sua personagem, era linda. Então, na verdade, temos Jean Hagen dublando Debbie Reynolds dublando Jean Hagen! No entanto, a voz que aparece na sequência das gravações de “Would You” é novamente de Betty Noyes.
    • Acreditem se quiser, mas Gene Kelly, o homem sorridente e extremamente divertido que vemos no filme era conhecido por ter uma personalidade complicada. O gênio difícil de Gene Kelly pode ser contestado em um episódio em que ele insultara Debbie Reynolds por ela não saber dançar. Foi Fred Astaire quem a ajudou em seus números. O ator/dançarino costumava rondar os estúdios e um dia encontrou Debby chorando em um piano. Donald O’Connor chegou a declarar que não gostou de trabalhar com Gene Kelly. Ele disse também que, nas primeiras semanas, morreu de medo de cometer algum erro e ouvir reclamações aos berros de Kelly. Além disso, Debby Reynolds declarou, anos mais tarde que fazer este filme as dores do parto foram as coisas mais difíceis que ela já teve que fazer.

    5,0

    5,0

    Cantando na chuva é suave e profundo em suas críticas e reflexões, nos levando a raciocinar e entender como várias esferas da vida realmente funcionavam e ainda funcionam. Além disso, as músicas são tão envolventes que, mesmo sem saber a letra, sentimos vontade de cantar e dançar também porque as músicas se adequam com as cenas, transportando o telespectador para dentro daquele cenário. Relata a importante história de Hollywood de uma forma coerente, coesa e divertida.

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    Robertta Melo

    Futura psicóloga, professora de inglês e matemática e amante número um da sétima arte. Como diretora da academia de Oscar é meu prazer passar madrugadas e emendar finais de semanas e feriados maratonando filmes e séries, desenvolver teorias, escrever críticas e finais alternativos. Apaixonada por livros, especialmente os de fantasias que são capazes de nos transportar à lugares inimagináveis. O que me encanta no cinema é que ele é capaz de nos retirar do mundo pacato em que vivemos e nos transporta para novas terras ou dimensões, podemos visitar o passado, presente ou futuro em poucos segundos, proporciona com que vivamos experiências incríveis e nos faz sentir um mix profundo de sensações e sentimentos. Tudo isso faz com que a vida seja mais agradável de ser vivida, pois tudo é possível e os sonhos estão ao alcance das mãos.

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