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Crítica | Era Uma Vez Em… Hollywood um ode ao cinema dos anos 70

Era Uma Vez Em... Hollywood é o 9º filme de Quentin Tarantino que conta com Leonardo DiCaprio, Brad Pitt e Margot Robbie como estrelas, numa história que encanta e homenageia o cinema dos anos 70 e estreia em 15 de agosto. Confira nossa crítica:

Era Uma Vez Em… Hollywood é o 9º filme de Quentin Tarantino que conta com Leonardo DiCaprio, Brad Pitt e Margot Robbie como estrelas, numa história que encanta e homenageia o cinema dos anos 70 e estreia em 15 de agosto. Confira nossa crítica:

A história é contada do ponto de vista de Rick Dalton (Leonardo DiCaprio), um ator de TV em decadência após uma tentativa frustrada de se tornar uma estrela de cinema, sempre acompanhado de seu dublê e amigo mais antigo Cliff Booth (Brad Pitt), ambos tentando encontrar oportunidades na Los Angeles de 1969. Paralelamente a vida dos dois atores está seus vizinnhos, o diretor Roman Polanski (Rafal Zawierucha) de O bebê de Rosemary e a atriz e esposa Sharon Tate (Margot Robbie).

Seguimos acompanhando a trajetória dos dois amigos, os altos e baixos de Rick Dalton com sua carreira, suas dúvidas, problemas com álcool, erros e acertos tanto como profissional como pessoal, e lado a lado de sua vida segue sempre seu amigo Cliff Booth.

Leonardo DiCaprio star in Columbia Pictures ÒOnce Upon a Time in Hollywood”

Tarantino usa a história fictícia da vida de Rick Dalton para contar como plano de fundo uma história real da Hollywood de 1969, brincando a todo momento com as expectativas do espectador ao se montar os trágicos eventos que ocorreram no verão daquele ano, onde a Família Manson proclamou o fim do movimento “paz e amor” com uma série de assassinatos pela cidade de Los Angeles. Essa mistura entre um grande elenco e ocorrências passadas faz desse filme uma alegoria de como foram esses anos nos Estados Unidos.

Toda a ambientação foi cuidadosamente pensada para que fossemos levados para a Hollywood dos anos 70. As gírias, as roupas, as falas, os locais, seja dos sets de gravações até a própria Los Angeles trás um toque de nostalgia para aqueles apaixonadas por esse tempo. Muitas cenas podem ser confundidas com shows reais da década, até mesmo recriando cenas do clássico Arma Secreta contra Matt Helm (The Wrecking Crew), para incluir Margot Robbie e dar mais veracidade à produção e também a inclusão sutil de pessoas, que se tornariam famosas, envolvidas na produção do filme, como o ator Bruce Lee (Mike Moh), que foi consultor de karatê para as cenas de luta do longa.

A grande temática do filme é a Sétima Arte, Tarantino além da direção também assina o roteiro e coloca a dupla de protagonistas fictícios para encontrar diversas personalidades históricas, desde Sharon Tate e Roman Polanski (Rafal Zawierucha) à personalidades como Bruce Lee (Mike Moh), Marvin Scwarz (Al Pacino), Steve McQueen (Damian Lewis), Wayne Maunder (Luke Perry), Jay Sebring (Emile Hirsch) e Charles Manson (Damon Harriman). Como um ode a Sétima Arte, o longa faz com que seus personagens sejam uma alusão a ela, seja por mostrar que nem tudo é perfeito nesse meio ou pra apresentar sua faceta de sucesso.

Se começarmos por Dalton, que se apresenta como o típico galã de filmes de ação, na época era o cara perfeito para estrelar os filmes de faroeste, na sua personalidade vemos vários contrastes, seja pela busca incessante por um ideal masculino a que estava sujeito para angariar seus papéis, seja por se mostrar sensível artisticamente, tentando tirar de si o máximo potencial que sabe que tem como artista. Nesse quesito temos que elevar a atuação de Leonardo DiCaprio, que convence em todas as suas cenas, ele expressa com o olhar a dor de Dalton quando percebe que está ficando para trás artisticamente. É interessante analisar que a trajetória de Dalton é a de tantos outros artistas por aí, que se frusta ao encarnar os mesmos tipos de personagens ao longo da carreira, fazendo pequenas participações e nunca tendo um destaque merecido.

Margot Robbie star in Columbia Pictures ÒOnce Upon a Time in Hollywood”

Em contrapartida temos Sharon Tate, que é vista como uma deusa no meio artístico, em Era Uma Vez Em… Hollywood ela ganha algumas nuances que a pintariam como uma mera mortal, mas não são suficientes para que a víssemos com outros olhos, toda vez que Margot Robbie entra em cena, uma áurea angelical a segue, seja ao conversar com as pessoas na rua, seja ao dançar em uma festa. Sharon Tate está num patamar artístico que muitos tentam alcançar, ela é o contraponto dessas facetas de Hollywood.

Brad Pitt star in Columbia Pictures Once Upon a Time in Hollywood”

Agora Cliff Booth, também fictício é outro que precisa de atenção, ele serve de outro ponto nessa faceta hollywoodiana. Cliff é um dublê, bonito demais para isso, talentoso demais, consegue encarar seja quem for, astro ou não, um amigo fiel demais, mesmo com um passado sombrio que serve para quebrar essa imagem de perfeição que se pinta sobre ele. Booth se acomoda na vida de faz-tudo de Dalton, apesar da amizade que eles carregam, ele não se importa em procurar algo mais, sempre servindo fielmente, sem nunca reclamar ou pedir algo em troca.

Seria fácil ficar por horas destrinchando os vários aspectos do filme, mas Era Uma Vez Em… Hollywood certamente é uma ode ao que Quentin Tarantino considera a era de ouro do cinema, que acaba tendo seu fim com o terceiro ato do longa. O que nos leva ao assassinato brutal de Sharon Tate pelos discípulos de Charles Manson – o grande vilão aqui. O longa os apresenta de forma gradativa, contando as histórias reais até chegar ao dia do assassinato. Como é o filme do Tarantino, posso dizer que a conclusão é sangrenta e capaz de provocar diversas reações. Não se deixe enganar pelo tom melódico dos primeiros atos.

Nota:

4,0

4,0

Era Uma Vez Em Hollywood acerta em cheio ao escolher seu elenco, trazendo caracterização e ambientação impecáveis com uma história real como plano de fundo alcançando o clímax da narrativa.

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Juliana Macedo

Futura economista, nerd assumida, apaixonada por filmes, séries, livros e um bom café de companhia. Criadora do Insta @pensoufilmes, sonhadora, não tem medo de novos desafios e sonha em deixar sua marca ao mundo.

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