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Casablanca | 77 anos que esse grande clássico ainda permanece em nossos corações

2º Guerra Mundial + romance + melodrama + humor = Casablanca. Um dos grandes clássicos do cinema.

  • Data de lançamento: 7 de dezembro de 1942 (1h 42min)
    Direção: Michael Curtiz
    Elenco: Humphrey Bogart, Ingrid Bergman, Paul Henreid
    Gêneros: Romance, Drama
    Nacionalidade: EUA

    2º Guerra Mundial + romance + melodrama + humor = Casablanca. Um dos grandes clássicos do cinema.

    A recepção de Casablanca na época de seu lançamento foi extremamente positiva, já dizia Faustão “Quem sabe faz ao vivo” e foi exatamente isso que Casablanca, sob os cuidados de Michael Curtiz, fez. Isso porque o filme começou a ser filmado antes que o roteiro estivesse completamente pronto. O roteiro foi terminado a duras penas, somente durante as filmagens. Muitas vezes, mudanças eram realizadas no próprio set, pouco antes das cenas serem rodadas. Além disso, o filme foi gravado em apenas 3 meses em plena 2º Guerra Mundial. E o resultado? Fenomenal. E é claro, 3 Oscar (Melhor Filme, Melhor Direção e Melhor Roteiro) e um total de 8 indicações (Melhor Ator, Melhor Ator Coadjuvante, Melhor Fotografia, Melhor Trilha Sonora, Melhor Edição, Melhor Filme, Melhor Direção e Melhor Roteiro).

    Casablanca teve um lançamento extremamente positivo, com excelentes críticas que elogiavam, sobretudo, a maneira com a qual o filme combinava humor, melodrama, romance e História.

    Com a Segunda Guerra em pleno andamento e bem longe de terminar, foi o contexto que Casablanca encontrou quando estreou em 26 de novembro de 1942. A data de estreia carrega um fato curioso – no dia 08 de novembro de 1942, as tropas Aliadas (Estados Unidos, Reino Unido e União Soviética) invadiram a cidade marroquina de Casablanca, que naquele momento estava sob domínio da França de Vichy, dominada pelos nazistas. Esse parecia o momento perfeito para a estreia do filme que conta justamente a história de como o exilado americano Rick Blaine (Humphrey Bogart), após encontrar refúgio na cidade, passou a dirigir uma das principais casas noturnas da região. Clandestinamente, tentando despistar o Capitão Renault (Claude Rains), ele ajuda refugiados, possibilitando que eles fujam para os Estados Unidos. A publicidade vinda dessa invasão foi um dos fatores que contribuíram para a ótima bilheteria que o longa-metragem teve nos Estados Unidos.

    Rick Blaine é gerente de um modesto e pitoresco café de Casablanca. Desde os primeiros momentos em cena, é possível observar que o personagem conta com uma construção reservada, introvertida, que já passou por poucas e boas e carrega consigo a ideia de “não colocar o pescoço em risco por nenhum homem”. As consequências dessa amargura são claramente vistas na bebida desenfreada e o assassinato da ideia de que amor verdadeiro realmente existe. O galã sempre que pode busca ajudar refugiados a fugir desde que isso o mantenha fora de perigo. Entretanto, tudo muda quando Ilsa Lund e seu marido Victor Laszlo adentram no estabelecimento com intenções muito mais mortais do que aparentam.

    Diante da inquietação de Rick logo surge a dúvida de por que tudo isso é impactante para a vida de Rick. Através de um flash back bem utilizado, o longa nos mostra a história comovente e trágica pela qual ambos foram expostos. Rick era líder da resistência antifascista e conheceu a sedutora expatriada norueguesa Ilsa em Paris. Após terem iniciado um caso, o nome do rebelde entra para a lista da Gestapo e ele arquiteta uma fuga com sua amante para longe da Cidade-Luz, para um lugar onde podem recomeçar do zero. Eles combinam de se encontrar na estação de trem, mas Ilsa nunca aparece, mandando um mensageiro entregar-lhe uma carta dizendo que o ama, mas que nunca mais poderá vê-lo. Desde então, Rick submeteu-se ao apaziguamento de sua rebelião e vê tudo desmoronar quando os sentimentos reacendem.

    O telespectador adentra mais na história diante da química inegável entre Bogart e Bergman e da chama daquilo que nunca se apagou. O amor remanescente de Rick fica claro quando Ilsa o implora para conseguir enviá-los para fora de Casablanca, já que seu marido Laszlo é um refugiado, também líder de um dos grupos rebeldes, e que está prestes a ser capturado pelo inimigo, e Rick entra numa jornada onde não mede esforços para ajudá-la.

    O lado triste e melancólico dessa história aparece quando nos damos conta que os próprios Rick e Ilsa tornam-se inimigos não entre si, mas para si mesmo. Ilsa declara seu amor para Rick e diz que o que sente por Viktor não passa de uma mera ajuda. Entretanto, o homem frio e cínico não consegue acreditar e, então, a deprecia para se proteger e não se envolver com alguém que quase lhe custou a vida. Mesmo com as negações desenfreadas, a mudança atmosférica é respaldada pelo diálogos que travam em diversos momentos.

    O final é triste, marcante e totalmente diferente do que as pessoas da época estavam acostumados: Rick e Ilsa não ficam juntos no final. Rick chega à conclusão de que apesar de amá-la demais e querer estar com ela, ele deveria protegê-la e o único modo de fazer isso era abrindo mão dela. Ele então faz com que ela embarque no avião, com seu marido a quem confessou não amar, com a fala inesquecível “Nós sempre teremos Paris”. E, além disso, Rick prova o quanto seu amor é verdadeiro ao engolir seu Ego ao dizer para Viktor “tudo” o que Ilsa tinha feito em prol de seu amor pelo herói de guerra.

    Casablanca não apenas conta uma linda e trágica história de amor, como também traz uma crítica sociopolítica do que realmente estava acontecendo em territórios de terceiro mundo e que eram excluídos das páginas do jornal e das frequências radiofônicas.

    É interessante constatar pelos depoimentos sobre o filme que a maioria dos envolvidos na produção de Casablanca não acreditava estar fazendo algo extraordinário e, sim, mais um filme dos mais de 100 lançados a cada ano em Hollywood na época. Surpreendendo a todos, Casablanca veio a se tornar um dos maiores sucessos comerciais de todos os tempos da Warner Bros.

    Nota

    5,0

    5,0

    Casablanca teve um lançamento extremamente positivo, com excelentes críticas que elogiavam, sobretudo, a maneira com a qual o filme combinava humor, melodrama, romance e História.

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    Robertta Melo

    Futura psicóloga, professora de inglês e matemática e amante número um da sétima arte. Como diretora da academia de Oscar é meu prazer passar madrugadas e emendar finais de semanas e feriados maratonando filmes e séries, desenvolver teorias, escrever críticas e finais alternativos. Apaixonada por livros, especialmente os de fantasias que são capazes de nos transportar à lugares inimagináveis. O que me encanta no cinema é que ele é capaz de nos retirar do mundo pacato em que vivemos e nos transporta para novas terras ou dimensões, podemos visitar o passado, presente ou futuro em poucos segundos, proporciona com que vivamos experiências incríveis e nos faz sentir um mix profundo de sensações e sentimentos. Tudo isso faz com que a vida seja mais agradável de ser vivida, pois tudo é possível e os sonhos estão ao alcance das mãos.

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