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Crítica | Toy Story 4 e um novo ângulo de análise sobre o filme

Desde 1995 até os dias de hoje não existe uma pessoa que não tenha se comovido ou se apaixonado pela história do cowboy que nunca desiste de fazer sua criança feliz e nunca deixa um amigo para trás. Se existe uma pessoa mais fiel que o Xerife Woody, nós desconhecemos (Quem dera se um namorado fosse assim, não é mesmo). À medida que novos filmes são lançados, a quantidade de brinquedos na saga só cresce, mas aqueles que surgiram no primeiro filme permanecem até hoje no coração dos fãs. Entretanto, o personagem forte e corajoso que nos ensinou lições importantes de amizade, companheirismo e inclusão foi um tanto desvalorizado no último filme da franquia. Além disso, outros personagens que tanto amamos, como Buzz Lightyear, Jessie, Sr. e Srª Cabeça de Batata, Rex, Slinky, Bala no Alvo e Porquinho foram esquecidos, tiveram menos participação de tela do que figurantes. Entenda.

Desde 1995 até os dias de hoje não existe uma pessoa que não tenha se comovido ou se apaixonado pela história do cowboy que nunca desiste de fazer sua criança feliz e nunca deixa um amigo para trás. Se existe uma pessoa mais fiel que o Xerife Woody, nós desconhecemos. À medida que novos filmes são lançados, a quantidade de brinquedos na saga só cresce, mas aqueles que surgiram no primeiro filme permanecem até hoje no coração dos fãs. Entretanto, o personagem forte e corajoso que nos ensinou lições importantes de amizade, companheirismo e inclusão foi um tanto desvalorizado no último filme da franquia. Além disso, outros personagens que tanto amamos, como Buzz Lightyear, Jessie, Sr. e Srª Cabeça de Batata, Rex, Slinky, Bala no Alvo e Porquinho foram esquecidos, tiveram menos participação de tela do que figurantes. Entenda:

Que Toy Story prega várias mensagens como amizade, companheirismo, lealdade, como lidar com sentimentos negativos e inclusão, todo mundo já sabe. Mas o tema principal da franquia mais importante da Pixar é o Amadurecimento. O que você deixa para trás à medida que cresce? À medida que caminhamos da infância para a adolescência e depois para a vida adulta, muitas coisas ganham prioridade, enquanto as diversões mais bobas acabam ficando para trás.

Vamos relembrar, está bem?

O primeiro filme da franquia narrou bem um momento de transição da humanidade ao fazer um contraste entre Woody e Buzz e também a própria história do cinema: na década de 70, os filmes de faroeste – que eram amados pelas crianças – começaram a ser deixados de lado quando Star Wars e outros filmes de aventura começaram a surgir nos cinemas e na TV. Um brinquedo de corda molengo e que só falava se você puxasse a corda era acostumado a ser o maioral e a comandar, perde seu posto de preferido, sendo obrigado a lidar com sentimentos pra lá de desagradáveis, como a inveja e o abandono. Essa trama, assim como as duas histórias subsequentes mostraram que sentimentos negativos surgem o tempo todo, mas a forma como você lida com isso é que faz a diferença.

Os brinquedos aprendem que ninguém é capaz de executar grandes tarefas sozinho. Percebem que se ficarem sempre brigando nunca conseguirão retornar para sua criança. Aprendem que uma coisa diferente não é necessariamente ruim, e que é possível encontrar qualidades em todos que são um pouco diferentes da gente. E Por fim, são forçados a perceber que um amigo não esquece o outro só porque um brinquedo novo surgiu no quarto: existe espaço para todos se divertirem juntos ali e as boas memórias existirão para sempre.

Sem sombra de dúvidas o Xerife Woody e Buzz Lightyear tem sempre muito a nos ensinar, porém em Toy Story 4 vai completamente na contramão de tudo que os três filmes anteriores pregaram ao longo de todos esses anos. Logo no começo do filme Woody novamente enfrenta o fardo de não ser o brinquedo querido de sua criança, como também, com o fato de não ser mais o líder do quarto como costumava ser. Os brinquedos de Bonnie não ligam para suas opiniões e desconsideram a grande bagagem que o Xerife teve com Andy, dando a impressão de que ele é um ultrapassado, trivial ou sem serventia alguma. Tudo o que ele fala é cortado e quando tenta contra argumentar acaba levando puxões de orelha.

Na sequência, nosso leal brinquedo segue sua voz interior para ajudar Bonnie em seu primeiro dia de aula e é graças a ele que ela consegue se adaptar ao jardim de infância. E o que ele recebe como recompensa? Uma boa dose de desconsideração quando o pai de Bonnie pouco se importa de pisoteá-lo duas vezes. Talvez o Garfinho estivesse certo, talvez ele fosse apenas lixo. Além disso, a união e companheirismo que estamos acostumados a ver entre todos os brinquedos de Andy desapareceu completamente nesse filme. Buzz, Jessie, Sr. e Srª Cabeça de Batata, Rex, Slinky, Bala no Alvo não estão juntos com Woody quando a fase estava ruim. O cowboy segue sozinho na jornada para ajudar o Garfinho.

Em Toy Story 4 não é possível ver o mesmo Woody dos filmes anteriores. Aquele que fazia tudo em prol de seus amigos, era leal ao seu grupo, tinha uma forte amizade com Buzz e Jessie, era amado por todos e um líder nato. Na verdade, nos deparamos com um Woody depressivo, sem vontade de viver e tentando encontrar uma razão para continuar vivo. Já o ousado Buzz Lightyear, aquele personagem forte, valente, esperto e astuto deu lugar a um patrulheiro espacial bobo, fraco em suas decisões, sem perspectiva, sem altivez ou esperteza.

O filme optou por enfatizar outros personagens como a boneca Gaby Gaby e a pastora Betty e se esqueceu de que os outros brinquedos também eram importantes. O problema não foi o acréscimo de novos personagens, pois em todas as sequências de Toy Story novos personagens foram adicionados, entretanto, nenhum deles ficava em segundo plano. Todos os brinquedos sempre foram importantes para a trama.

No final das contas todo o esforço de Woody em prol unicamente de Boonie foi em vão, ela não demonstrou nem se quer uma consideração ou mero afeto por ele. A famosa música “Amigo estou aqui” deixa de fazer sentido já que Woody troca todos seus amigos e sua criança para viver como um brinquedo perdido com a Betty. Valores quebrados e história antagônica é o que resume Toy Story 4.

Entretanto, não podemos nos esquecer da imensa evolução gráfica pela qual o filme passou. Desde a cena inicial podemos observar o quanto o trabalho de iluminação sob a chuva é fenomenal, e tanto a textura da pele dos personagens quanto o neon do parque de diversões fornecem boas possibilidades estéticas, exploradas a contento pelo diretor Josh Cooley. Se fizermos uma análise detalhada é possível ver minuciosos detalhes em cada um dos personagens:

É natural que ao longo do tempo brinquedos de criança fiquem bastantes arranhados e a Pixar fez questão de deixar isso bem evidente.

No primeiro filme da franquia havia uma certa limitação técnica, além disso era muito caro animar seres humanos ou personagens semelhantes. Mas hoje a riqueza de detalhes é impressionante e bastante realístico, capaz de fazer o telespectador embarcar ainda mais no mundo da fantasia.

Betty com certeza mudou de visual, agora é possível ver nitidamente cada detalhe da forte bonequinha de porcelana. Nos primeiros Toy Story ela parecia mais uma boneca de pano, porém agora o brilho e as leves rachaduras deixam bem claro que ela pode sim quebrar.

Nota

3.5

3.5

Muitas coisas ficaram a desejar pelo fato de o filme promover uma ideia contrária a mensagem que foi transmitida nos filmes anteriores. Personagens importantes como Woody e Buzz perderam a forte personalidade que sempre carregaram enquanto outros personagens importantes da franquia foram completamente esquecidos.

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Robertta Melo

Futura psicóloga, professora de inglês e matemática e amante número um da sétima arte. Como diretora da academia de Oscar é meu prazer passar madrugadas e emendar finais de semanas e feriados maratonando filmes e séries, desenvolver teorias, escrever críticas e finais alternativos. Apaixonada por livros, especialmente os de fantasias que são capazes de nos transportar à lugares inimagináveis. O que me encanta no cinema é que ele é capaz de nos retirar do mundo pacato em que vivemos e nos transporta para novas terras ou dimensões, podemos visitar o passado, presente ou futuro em poucos segundos, proporciona com que vivamos experiências incríveis e nos faz sentir um mix profundo de sensações e sentimentos. Tudo isso faz com que a vida seja mais agradável de ser vivida, pois tudo é possível e os sonhos estão ao alcance das mãos.

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