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Resenha | O Diário de Myriam Rawick, editora DarkSide Books

“Quando a gente abre as janelas, não tem um barulho de vida sequer. Não existem flores, não existem cores e até os pássaros já nos deixaram”.

Resenha: O Diário de Myriam Rawick
Título: O Diário de Myriam
Autor: Myriam Rawick, Philippe Lobjois
Tradução: Maria Clara Carneiro
Editora: Darkside Books
Ano: 2018
Páginas: 320

Quem já não ouviu falar ou leu O Diário de Anne Frank? A garotinha judia que registrou em seu diário entre 1942 e 1944, o cotidiano sofrido de sua família no esconderijo em Amsterdã durante a Segunda Guerra Mundial. O diário se tornou o maior clássico da literatura do holocausto relatando a perseguição sofrida por judeus no momento mais brutal e chocante da história.

Agora passado mais de setenta anos, Anne e Myriam tem um elo em comum: ambas se tornaram símbolos de esperança e resistência contra os horrores da guerra. Mesmo diante da fragilidade, elas trouxeram um exemplo de força e sabedoria a todos.

“Quando a gente abre as janelas, não tem um barulho de vida sequer. Não existem flores, não existem cores e até os pássaros já nos deixaram”.

O Diário de Myriam foi publicado inicialmente na França. Mas uma jornalista e também fundadora do Jornal Joca, Stéphanie Habrich decidiu publicar falando sobre O Diário de Myriam. Joca é um jornal voltado a linguagem e público jovem, trazendo conteúdos atuais, conscientizando e informando os jovens sobre a atualidade. Tal publicação chamou muito a atenção deles, decidiram então entrar em contato com o Joca pedindo para alguma editora publicar a versão traduzida desse diário. Diante as inúmeras solicitações, a editora Darkside Books, parceira nossa, deve uma grande missão nas mãos – lançar O Diário de Myriam aqui no Brasil.

Myriam Rawick, filha de uma família de sírios cristãos de origem armênia, entre 2011 e 2017 começou a relatar o dia a dia da Guerra na Síria, desde do momento pré-guerra, iniciado por protestos contra o presidente Bashar al-Assad, até os grandes conflitos. Suas tentativas de entender tudo que estava havendo e o medo que os cercava a cada dia era gigante.

O livro é narrado por um olhar infantil, que mesmo cercada pelo medo e terrorismo ali presente, ela se mostra obstinada a ajudar e manter a esperança à todos ao seu redor.

Os relatos de Myriam nos revelam o pensamento, sentimento de como ela, milhares de crianças sentem diante de uma guerra, nos trazendo a sensibilidade e fragilidade daquelas crianças e suas famílias. A fé, a união e a esperança era o que eles podiam se agarrar. As lembranças doces e felizes constantemente são narradas e recordadas por ela, nos fazendo ver a beleza do lugar onde eles viviam, e que após a guerra, apenas deixou destruição, momentos dolorosos e destroços. Ao ler este livro, vemos o outro lado sobre a Guerra da Síria, relatos que os noticiários não mostram e nem conseguem expressar totalmente.

Myriam publicou seu diário com o incentivo do repórter e escritor de guerra, o francês Philippe Lobjois, que estava em Alepo quando conheceu a história de Myriam. Acreditando no potencial que sua história e exemplo poderia revelar ao mundo, auxiliou a enriquecer suas memórias e organizá-las em forma de publicação.

Desde 2011, a Guerra da Síria matou mais de 400 mil pessoas, e outros milhões sofreram com a violência e destruição dos conflitos. Myriam Rawick foi a voz que conseguiu alcançar o mundo, fazendo ser ouvida e representando a todos que ali sofriam e sofreram junto com ela a guerra.

Nota: 9.0

Links para Comprar: Darkside Books | Amazon |

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Karina Lima

Formada em Design Gráfico, viciada em filmes e séries, ama perdidamente a Marvel e eternamente Harry Potter. Mas também não vive sem livros e música. Ama chá, Londres e fã do Tom Holland e Robert Downey Jr. Não consegue viver sem a Arte no seu cotidiano, essa é ela.

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