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Crítica | Vingadores: Ultimato, o fim épico de uma era

Sem dúvida alguma, Vingadores: Ultimato já entrou para a história, estabelecendo de vez o gênero de filmes de super-heróis nas telas.

CUIDADO COM SPOILERS!!!

Primeiramente, se você ainda não assistiu ao filme e até agora não recebeu um spoilerzinho sequer, parabéns! Você sim é um herói. Esse post está repleto deles, então a não ser que você já tenha assistido ou não se importe com algumas revelações, é melhor não continuar a leitura por enquanto. Ao demais, que já viram o filme uma, duas, três, infinitas vezes e ainda querem continuar vendo…ótima leitura!

Parte da jornada é o fim.

Desde que ouvimos a frase dita por Tony Stark no primeiro trailer do filme, já sabíamos que esse seria o fim de uma era iniciada pelo próprio lá em 2008, com um filme independente, de um personagem pouco conhecido do público em geral até aquele momento, mas que resultou na construção de um universo compartilhado com outros heróis da casa das ideias – um total de 22 filmes até aqui, e o reconhecimento e respeito que as histórias em quadrinhos sempre mereceram. Agora, eis que realmente chega a hora da culminação de toda essa construção, aguardada ansiosamente por todos nós desde os eventos de Guerra Infinita, lançado ano passado. Novamente sob o comando dos Irmão Russo, os Vingadores estão de volta no que é a batalha de suas vidas, como o próprio Steve Rogers afirma no longa.

Em 2018, nós fãs, ficamos extasiados e chocados com tamanho sucesso de Guerra Infinita, devido a imensa qualidade de sua história, produção e ousadia em reunir quase todos os personagens apresentados até então na telona de maneira magistral em pouco mais de duas horas de filme.

E há exatos 10 dias, estamos tendo a mesma sensação novamente, agora multiplicado por “três mil” para alguns ou “mil milhões” para outros.

O filme não se preocupa em ser independente de seu antecessor, apenas relembrando logo no início, com poucas e suficientes linhas de diálogo o que houve no ano passado, com o estalar de dedos do Thanos. Pra quem não se lembra, inicialmente as duas últimas aventuras da equipe seriam conhecidas como Guerra Infinita Parte 1 e 2, mas posteriormente, o próprio chefão da Marvel, Kevin Feige, anunciou que o 4º longa levaria outro nome por que segundo ele mesmo, seria uma história totalmente diferente ainda que com uma conexão entre elas. Ele não mentiu, é uma nova história, mas obviamente uma continuação direta das consequências que o Titã louco deixou.

Até a estreia do filme, houveram inúmeras especulações, uma delas é de que a tal viagem no tempo afetaria e mudaria completamente a linha temporal oficial do Estúdio, porém, mais uma vez os irmãos Russo apostam na simplicidade quanto a forma de contar história, mesmo com um tema um tanto quanto complexo. Até rola uma referência ao clássico De Volta para o Futuro, como uma quebra de gelo sobre o tema e uma maneira de desconstruí-lo, afinal, diferente de muitas obras que abordam o assunto, no longa, mudar eventos do passado não alteram o presente, mas cria uma linha do tempo alternativa. Talvez o melhor exemplo seja a cena em que a Nebulosa de 2023 mata sua contraparte de 2014 por ela na época ainda ser uma fiel aliada e filha de Thanos.

Já que mencionamos o ano de 2023, vamos falar desse salto temporal no filme, que é totalmente necessário para mostrar no que o mundo se transformou após o estalar de dedos e da imediata e “última” tentativa dos Vingadores de desfazer tal catástrofe. Tentativa tão falha, que mesmo Thor tendo finalmente arrancado a cabeça do Titã, já era tarde demais, já que Thanos havia destruído as joias. Esse acontecimento logo no início, serve de peso ainda maior para os heróis, refletindo em suas vidas mesmo após cinco anos do ocorrido. O primeiro ato serve totalmente de foco a derrota da equipe e o quanto isso afetou a eles e a metade da população que restou.

Em meio a um cenário quase pós apocalíptico, temos um equilíbrio entre peso na consciência, dor e ponto de partida para um recomeço na vida dos seis Vingadores originais. Se pegarmos o primeiro filme da equipe e os filmes solo dos primeiros integrantes, vemos a incrível evolução que esses personagens sofreram, seja devido ao amadurecimento natural deles ou algo feito pelas mãos de diretores. Uma Natasha Romanoff liderando uma nova formação da equipe, sendo talvez a personagem que mais sente as perdas, pois aquela de fato era sua família, coisa que ela nunca teve. Um Steve Rogers sem mais esperanças, mas liderando um grupo de apoio aos que tiveram perdas nos eventos de Guerra Infinita. Um Tony Stark, que escolheu uma vida sossegada e longe do perigo com a Pepper e agora sua filha. Bruce Banner finalmente encontrando um meio termo entre monstro e humano, aprendendo a conviver com sua nova forma e nos entregando a versão cinematográfica do professor Hulk. Um Thor depressivo, que apesar do tom mais cômico no filme, se tornou um personagem sem tanta perspectiva de vida, tendo seu principal rival agora não mais o Thanos, mas sim um certo “Noobmaster69”. E o que dizer do Gavigod? Que não soube lidar do melhor jeito com sua perda e se tornou praticamente um serial killer. Quando poderíamos imaginar que os heróis mais poderosos da Terra passariam por tais mudanças, tão significativas e cruciais para o futuro da franquia? Se não tivéssemos tal evolução na vida da Viúva Negra por exemplo, talvez seu sacrifício pela joia da alma não causasse o mesmo impacto.

Além de ser o ápice desses 11 anos, o filme nos presenteia revisitando momentos específicos do UCM sob outro ponto de vista, e enchendo nossos olhos com tantas referências que nem o Capitão América aguentaria tanto rsrs. Referências estas, aos quadrinhos e a ocasiões anteriores. Quer maior quebra de expectativa genial do que o Steve no elevador de novo? Todos achávamos que a pancadaria da cena do segundo filme do Sentinela da liberdade se repetiria e de repente ele solta um “Hail Hidra”(pra quem acompanha as HQ’s, não precisamos dizer mais nada né).

E se estávamos sentindo falta de uma batalha verdadeiramente épica fazendo jus as revistas, agora não sentimos mais. O que Guerra Civil fez em 2016 na cena do aeroporto foi multiplicado por 1 milhão em Guerra Infinita e agora multiplicado infinitamente em Ultimato. A sensação é de se ter uma HQ em movimento na tela, como aquelas páginas duplas, em que temos todos os heróis reunidos num combate, e isso acompanhado pela trilha sonora eternizada e pelo famoso “Avante Vingadores”, proclamado por Steve Rogers. Não poderia ser melhor! E de novo, mérito dos diretores, que deram o tempo de tela perfeito e necessário a cada personagem, sem que alguém fosse “esquecido”, já que todos desde Guerra Infinita já haviam sido apresentados. Inclusive a participação da Capitã Marvel foi exatamente do jeito que precisávamos: com papel importante na história mas na medida certa, já que o objetivo do filme era celebrar o fechamento desses 11 anos, destacando a formação original da equipe.

Mas…como dito no começo, parte da jornada é o fim. Apesar de não querermos isso, é necessário que estes personagens principais até aqui, passem o protagonismo a nova geração que já estão entre eles e aos que estão por vir. Já não resta mais qualquer dúvida sequer quanto ao caminho que a Marvel quer tomar, e isso é concretizado com Steve Rogers ficando no passado para viver sua vida com a Peggy Carter, fechando seu arco, e a morte, ou melhor, o sacrifício do Homem de Ferro para salvar a humanidade. Todas as pontas que estavam soltas são amarradas nesse filme, e não há jeito melhor de terminar um ciclo, com quem iniciou o mesmo. Uma mesma frase usada em contextos totalmente diferentes: “Eu sou o Homem de Ferro”. Lá em 2008 Tony Stark dizia pela primeira vez, ainda com sua personalidade narcisista, para ser adorado, a frase que se tornaria icônica e que seria o ponta pé inicial de tudo que acompanhamos até aqui. Agora, portando as joias do infinito e em meio a única chance de salvar a todos que ama e dar esperança aos que ficaram, ele solta novamente o bordão antes de estalar os dedos, porque agora, ser o Homem de Ferro significava algo muito maior, um legado a deixar e um aprendizado a se ter.

São quase 3 horas de filme, que são conduzidas de maneira tão bem arquitetada, que você não quer que acabe e quando chega o final, você se pergunta se realmente o filme teve essa duração ou menos.

Como já havia sido anunciado antes da estreia, o filme NÃO possui cenas pós-créditos, mas cá entre nós, com o encerramento épico que teve, realmente não precisava né! E isso também não quer dizer que as últimas cenas não possam nos dar pistas sobre o futuro da fase 4 do UCM. Pelo contrário, o caminho segue aberto para inúmeras oportunidades a serem exploradas. Agora nos resta aguardar os próximos filmes, como Homem-Aranha: Longe de Casa e quem sabe as séries que serão lançadas em breve no Disney+, também não respondam a várias dúvidas que ficaram.

Sem dúvida alguma, Vingadores: Ultimato já entrou para a história, estabelecendo de vez o gênero de filmes de super-heróis nas telas. Um verdadeiro fan service a todos nós que acompanhamos essa trajetória até aqui.

Ainda vamos falar muito sobre o capítulo final dessa saga, trazendo matérias especiais, mais análises, o que gostamos, o que adoramos, o que poderia ter sido diferente e o que o futuro do UCM pode nos reservar.

O filme segue em cartaz nos cinemas, quebrando todos os recordes possíveis, inclusive já tendo se tornado a 2ª maior bilheteria da história, somando até o momento, mais de US$ 2,188 bilhões com apenas 11 dias de exibição.

Nota

Excelente

5.0

Após 11 anos e 22 filmes, a Marvel tem seu ápice no cinema nos entregando um misto de risadas e choro. Há quesitos que poderiam ser melhorados, mas nada que chegue sequer a 1% do filme todo. O encerramento perfeito de um trabalho de uma década e um novo olhar sob as produções baseadas em quadrinhos.

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Danilo Laurindo

Um completo viciado...em café, lógico! Ilustrador e futuro Designer que entrou no mundo das séries graças a "Chuck". Nerd apaixonado por comics, cinemas, séries, desenhos, cachorros e memes de cachorros (na boa, quem não gosta?) e pelas pequenas coisas que fazem a diferença! Se eu tenho um amor? Claro, se chama Marvel.

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