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Análise | Far Cry: New Down

A franquia continua divertida, mas precisa ser renovada.

O trágico acidente radioativo que encerrou Far Cry 5, jogo lançado em 2018, deu origem ao game intitulado Far Cry: New Dawn, que se propõe a dar continuidade aos eventos anteriores e apresentar os desdobramentos do desastre. Agora, o desafio é recuperar o domínio da pós-apocalíptica Hope County das mãos dos chamados Salteadores, um grupo que atua em toda a extensão territorial do país, sendo descritos como saqueadores violentos e fortemente armados, assinando sempre que possível seus crimes com o som no máximo.

O braço regional dos Salteadores que invadiu Hope County, pondo fim a mínima tranquilidade alcançada por seus moradores, é liderado pelas irmãs gêmeas Lou e Mickey. A primeira de personalidade brutal, enquanto a segunda se caracteriza pela perspicácia.

Como de costume – marca sempre presente na franquia –, o jogo é introduzido ao jogador de maneira tensa, geralmente sob fogo cruzado. Após uma invasão e sucessão de matanças, você é abordado por um grupo de Salteadores. Encurralado diante de um confronto inevitável e desigual, seu amigo Rush o arremessa de um penhasco direto para as correntezas de um rio na esperança de que se salve, podendo posteriormente arquitetar um plano de contra-ataque para deter a tirania das irmãs. Carmina, uma de suas parceiras que o ajudará a se restabelecer e formar uma resistência, salva-o das águas agressivas antes que se afogue.

Nesse momento da trama, percebemos uma série de decisões que precisam ser tomadas para entregar ao jogo a identidade do jogador. Por isso, dentre todos os elementos que eu poderia elencar nesta análise, o da criação particularmente me despertou novas sensações em Far Cry, especialmente se comparado aos jogos anteriores e mais marcantes da série (a exemplo do 3). O processo de melhoramento da base, criação de armas, veículos, etc., é bastante positivo, já que oferece novo significado e estímulos à prática de exploração frenética do mapa em busca de recursos e uma real sensação de conquista durante as tomadas de território, embora pudesse oferecer maior diversidade de bases, visto que a ocupação e reocupação dos locais por parte dos inimigos deixa o jogo um tanto repetitivo, mas não menos desafiador. Criar é, sem dúvidas, um incremento interessante para a série.

Nesse sentido, seja em sua zona segura ou nas ruínas de construções espalhadas pelo vasto cenário exótico, é possível encontrar bancadas específicas para montar uma estrutura bélica de respeito, criando belas armas caseiras ou produzindo munição de qualquer tipo (isso desde que se tenha posse de itens/sucata para esta ação, o que faz da exploração uma aventura mais que necessária para evolução no jogo).

Novos aspectos de RPG também são inseridos sutilmente, como quando os danos nos inimigos são numericamente apresentados na tela, fazendo com que a escolha das armas e a definição de estratégias sejam cuidadosamente pré-definidas.

Ainda no que diz respeito ao traço inicial da trama, Carmina e sua personagem (“capitão”) enfrentam algumas dificuldades para chegar a um local seguro. Juntos, o primeiro desafio é confrontar um grupo de Salteadores e seguir em direção a uma concentração de sobreviventes para, enfim, projetar uma resistência organizada contra Lou e Mickey. Lá, eles encontram Kim Rye, mãe de Carmina, que passa a administrar junto com você as ações da operação, finalmente nos apresentando Prosperity.

Prosperity é uma base segura que deve ser fortalecida (estrutura e inteligência), para que a resistência seja bem-sucedida. O etanol surge aqui com valor incalculável às pretensões da resistência (à la Mad Max) e você deve recuperá-lo, assim como a reunião de especialistas distribuídos pelo mapa, que precisam ser ajudados para que tenham uma dívida a ser paga e aceitem a liderança de Rush. Você tem a missão de os unir. Em Prosperity se dá o pontapé inicial para a administração e fortalecimento da base, onde serão necessários certos cuidados, a partir do melhoramento da enfermaria, infraestrutura, criação de veículos, armamento… O local precisará da sua capacidade de liderança e desempenho (sobretudo no quesito exploração) para atingir níveis de organização mais elevados. Isso será possível quando os objetivos secundários forem feitos, como na conquista de postos avançados, no roubo de cargas de caminhões-tanque ou nas abordagens a caixas de suprimentos lançadas aos grupos inimigos por aviões dos Salteadores.

Outro aspecto clássico da franquia também consta aqui: a caça. Em New Dawn nos é apresentada uma variedade satisfatória de animais, o que inclui os chamados “animais monstros”, espécies visivelmente afetadas pela radioatividade. O contato com a floresta, assim como a pesca, é movido pela ambição em melhorar seu porte no jogo, já que a pele coletada dos animais pode ser trocada por materiais importantes aos reparos de Prosperity, sem falar da já famosa colheita de vegetais que auxiliam na produção de medicamentos de cura. A pluralidade de objetivos para se concluir no mapa também é impulsionada pela premiação em pontos de habilidade, que desbloqueiam novas características ao seu sobrevivente.

Pessoalmente, minha relação com a franquia da Ubisoft se intensificou a partir de Far Cry 3. Desde então, é extremamente íntima e confortável a mim sua jogabilidade, como se eu reencontrasse um velho amigo a cada lançamento. A capacidade de controle, fluidez de exploração e combate do jogo suscita no jogador um comportamento intuitivo, não sendo necessária uma longa espera para adaptação a cada novo título. Foi tamanha a felicidade em perceber que estes aspectos também se aplicam com maestria a Far Cry: New Dawn, jogo desenvolvido pela Ubisoft Montreal e lançado no dia 15 de fevereiro deste ano, definido como uma sequência narrativa distanciada 17 anos do game anterior. Mesmo assim, para aqueles que não afrentaram os fanáticos liderados pelo profeta Joseph Seed em Far Cry 5, também é possível se envolver bastante com o título atual.

Para os que possuem intimidade com os primeiros jogos da franquia, é de se destacar comparativamente o novo elemento da variedade e o nível que se atingiu atualmente, seja no que diz respeito as opções de armas, veículos, animais, locais de exploração, dimensão do mapa e, claro, um poder de criação e melhoramento dos equipamentos indispensáveis à sua sobrevivência. Além disso, buscando oferecer outros desafios diferenciados, o game proporciona alguns puzzles interessantes para caça ao tesouro. Todos os aspectos citados nos são presenteados com gráficos exuberantes de regiões paradisíacas deslumbrantes. Para mim que tive contato a partir do Xbox One, não há o que reclamar, definitivamente.

Far Cry: New Dawn, continuação totalmente em português dos eventos de Far Cry 5, não decepciona e entrega o que promete, embora alguns pontos precisem ser revistos para produções futuras, como a fórmula do game, que, apesar de marcante, precisa receber um upgrade, tomar fôlego e passar por incrementos significativos. O enredo também peca pela previsibilidade e precisa urgentemente de atenção, sendo um jogo atrativo mais pela experiência que a jogabilidade fluída e os lindos gráficos proporcionam que pela trama, que, no caso de New Dawn, é pouco atrativa.

Agradecimentos à equipe da Ubisoft Brasil por terem nos enviando o game para esta análise. Jogamos na versão de Xbox One.

Nota:

Bom

3,5

O mais do mesmo em Far Cry sempre diverte, mas em New Down, fica claro de que a franquia vem se desgastando e precisa urgentemente ser renovada.

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Wemerson Gomes

Seguidor da cultura geek. Marvete e DCnauta. Viajante da galáxia e um sobrevivente da montanha da perdição.

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