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Crítica | Upgrade

conheça um dos melhores filmes de ficção cientifica dos últimos tempos.

Hollywood passa por um período de investimentos hiperbólicos, é uma verdadeira hemorragia de dinheiro para produzir um único filme. Exemplos recentes como o de Vingadores: Guerra Infinita são chocantes, o filme custou cerca de 300 milhões de dólares e faturou incríveis 2 bilhões. Apesar da qualidade indiscutível do filme, esses investimentos mastodônticos acabam trazendo um problema sério para o cinema, que seria a total dominação dos blockbusters nas mídias, marketing e, claro, nas salas de cinemas, obstruindo filmes menores de baixo orçamento.

Upgrade foi uma das vítimas do brutal esmagamento dos blockbusters, o filme de baixo orçamento da Blumhouse Productions (Corra, Fragmentado, Uma Noite de Crime e Atividade Paranormal) não deu tanta sorte como os outros filmes da empresa e passou totalmente despercebido em 2018, pelo menos aqui no Brasil, onde nem sequer estreou, já que ficou à sombra dos concorrentes maiores. O filme custou “miseres” 3 milhões de dólares e até que se saiu bem nas bilheterias Norte-Americanas, arrecadando cerca de 16 milhões. Sua ofuscação aqui no Brasil nos fez perder uma magnifica experiência na grande tela de cinema em um dos melhores filmes de ficção cientifica dos últimos tempos.

Upgrade acompanha a vida de Grey Trace (Logan Marshall-Green) em um futuro distópico próximo. O protagonista perde sua esposa, Asha (Melanie Vallejo) e acaba ficando tetraplégico após um incidente envolvendo uma gangue de mercenários. Três meses se passam, Eron (Harrison Gilbertson), um amigo em comum, acaba oferecendo uma solução para que ele recupere seus movimentos, trata-se de um chip neural experimental com inteligência artificial intitulado de STEM. Após aceitar a oferta, Grey retoma seus movimentos e logo descobre que o STEM tem a capacidade de fazer muito mais, como falar e conceder incríveis habilidades sobre-humanas. Com isso, Grey toma proveito dessas habilidades e inicia uma jornada em busca de vingança contra aqueles que assassinaram sua esposa.

O filme se alicerça nos conceitos mais básicos da ficção científica, tomando como principais referências RoboCop, O Exterminador do Futuro, Ex Machina, Black Mirror e até vídeo games. Mesmo com conceitos e um roteiro básicos, o diretor Leigh Whannell (Sobrenatural: A Origem) consegue fazer um ótimo trabalho com o que tem e o filme impressiona com cenas espetaculares de ação, que trazem coreografias surpreendentes e uma câmera frenética que foge do padrão. Upgrade também aposta no terror visual com membros decepados e muito sangue, remetendo bastante aos filmes trash oitentistas, como Evil Dead.

O baixo orçamento do filme não permite que ele expanda seu universo futurista a nível de um Blade Runner por exemplo, mas, a construção do mundo torna-se competente ao mostrar apenas o necessário para que acreditemos naquela sociedade. O filme é muito sutil neste aspecto, mostrando seu universo e toda a desigualdade social que o permeia apenas em momentos pontuais, onde os ricos possuem casas e carros luxuosos com máquinas completamente automatizadas que fazem de tudo, enquanto os pobres tornam-se viciados em realidade virtual para fugir do mundo real, ou, que fazem qualquer coisa para modificar alguma parte de seus corpos, para que assim, possam se tornar um tanto significantes para aquele mundo. Nestes momentos, o filme nos passa a mensagem de um futuro não tão impossível assim, sem ser literal demais. Entretanto, ao decorrer do filme, a falta de variedade dos cenários pode pesar um pouco para os mais exigentes.

É inevitável falar de Upgrade sem enaltecer a atuação de Logan Marshall-Green, o ator faz um trabalho excepcional ao trazer, praticamente, dois personagens ao mesmo tempo. Suas expressões faciais trazem a humanidade de Grey (com dores, raiva, náuseas, tristeza e surpresas), enquanto que seu corpo traz o lado totalmente robótico e impulsivo do STEM. Sem falar do ótimo trabalho de Simon Maiden, que dá voz a inteligência artificial. São, sem dúvidas, dois personagens extremamente carismáticos. Porém, o que sobra de carisma nesses dois, falta aos demais personagens, já que nenhum é interessante o suficiente para nos identificarmos. Apesar de ser um ponto negativo, isso não afeta a trama, já que o foco do filme está direcionado essencialmente em Grey e sua busca por vingança.

Apesar de abraçar os conceitos mais básicos do gênero Sci-Fi, principalmente de clássicos dos anos oitenta, Upgrade mantém, portanto, uma identidade própria, inova nas cenas de ação com lutas frenéticas e uma câmera que foge do padrão, atreladas a uma atuação de Logan Marshall-Green tão excelente quanto a de Peter Weller em RoboCop, além de nos conceder um final incrivelmente inesperado com um plot twist de cair o queixo.

Nota

Ótimo

4,5

Comparado a longas recentes de ficção cientifica Upgrade é sim uma das melhores produções do gênero dos últimos anos, mas que, infelizmente, dificilmente será lembrado, justamente por ser básico e “barato” demais para a Hollywood dos tempos atuais. É um pequeno no meio de gigantes, onde apenas os fãs que buscam filmes do gênero irão conhecer.

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Wemerson Gomes

Seguidor da cultura geek. Marvete e DCnauta. Viajante da galáxia e um sobrevivente da montanha da perdição.

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