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Mentes Sombrias | A difícil tarefa de adaptar um livro para as telas do cinema

Quando se trata de adaptações de livros para as telas mágicas do cinema, somos confrontados com bons exemplos, desde Jogos Vorazes, Harry Potter até A Culpa É Das Estrelas. Assim como  também nos deparamos com adaptações tão decepcionantes que preferimos nem lembrar que um dia existiram. Com o sucesso dessas franquias, de vez ou outra aparece uma nova adaptação tentando alcançar o mesmo patamar de uma saga de sucesso, já que ela tem a vantagem sobre outros filmes: uma gama de fãs pré-existentes, ansiosos para verem sua saga favorita ganhando forma nas telonas.

É por isso que estamos fazendo este post, com a estreia da adaptação do livro Mentes Sombrias (Darkest Minds), escrito por Alexandra Bracken, decidimos que era necessário listar os pontos fortes e aqueles que foram insuficientes quando o assunto é transformar as páginas mágicas de um livro em um filme. Espero que estejam prontos, e um último aviso: este post estará recheado de spoilers.

CONTÉM SPOILERS

 

Nada melhor que começar nossa comparação com a protagonista dessa história, Ruby Daily. No livro somos apresentados a uma Ruby medrosa e quieta, que tem medo do que pode fazer com seus poderes, sem noção do que ocorre ao mundo fora do acampamento. Nessa parte, o filme apresentou uma Ruby mais consciente, mesmo que seus poderes ajam de forma incontrolável. Tal mudança faz com que o filme flua melhor.

Fonte: Editora Intrínseca

 

Agora é a hora de listar todas as mudanças que realmente incomodam, e fizeram com que a adaptação fosse decepcionante tanto para aqueles que leram o livro quanto para aqueles que descobriram a história no cinema. Começamos por Martin, que foi cortado do filme. Ruby não tem o desprazer de encontrar o garoto arrogante, e vamos torcer para que ele não tenha importância nos próximos livros, mas o fato dele não dar as caras faz com que só exista dois Laranjas no mundo, tornando mais forte o embate entre eles, quase um confronto de espécies.
Já quando o assunto é A Liga, faltou a ênfase do que eles realmente são capazes, quando Ruby toca em Rob apenas vê ele maltratando uma criança, não atirando na cabeça de dois jovens como no livro. Isso acaba sendo uma cena bem rápida que se perde em meio aos cortes grotescos feitos no filme, sendo assim A Liga não parece a pior coisa do mundo, dá a impressão de que Liam apenas implica com eles. Falando em cortes, o modo como o filme foi montado é o que mais incomoda, pois dá a impressão de que rasgaram diversas páginas e não fizeram questão de montar uma ponte entre elas.

 

Já a jornada de Ruby, Bolota, Liam e Zu se torna rápida, assim como no livro conseguimos estabelecer empatia logo de cara, isso se dá grande parte por Charles – Bolota é só para amigos – com seu humor afiado e carisma dos seus companheiros, que como atores possuem grande potencial. Enfim, para esse texto não se tornar extenso demais, pois a lista de comparações entre livro versus adaptação ainda aí é longa temos uma última alteração que talvez será o fator decisivo para atrair um público maior e garantir uma sequência – ou não – a relação entre Ruby e Liam, isso mesmo, a relação entre os dois se dá de forma instantânea e fica um tanto forçada no início, dando a impressão de que o foco central da trama é sobre a afeição que um tem pelo outro e não toda opressão e as mudanças que as crianças passaram.

Não pense que a adaptação de Mentes Sombrias é um completo desastre, pois não é, você ainda vai se identificar com o grupo de crianças que só querem a segurança de um lar e a sensação de pertencimento. Vai torcer para que o pior aconteça com Clancy, aliás a cena do embate entre Ruby e Clancy é incrível, além da introdução do exército de Vermelhos que ganha dimensão no filme.
Por fim, Mentes Sombrias fica aquém de seu verdadeiro potencial, transformando uma distopia promissora em um mero conto de amor, fazendo com que fique em xeque a continuação desse fantástico mundo criado por Alexandra Bracken, mas que possui grande potencial para se acertar e trazer o encanto do livro para uma geração se deslumbrar nas grandes telas.
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Juliana Macedo

Futura engenheira, nerd assumida, apaixonada por filmes, séries, livros e um bom café de companhia. Criadora do Insta @pensoufilmes, sonhadora, não tem medo de novos desafios e sonha em deixar sua marca ao mundo.

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