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Camelot 3000 | A série de histórias que mudou a indústria dos quadrinhos.



Da Idade Média aos nossos tempos, o lendário rei Arthur e seus cavaleiros da Távola Redonda tem protagonizado incontáveis obras de ficção. Coube ao inglês Thomas Malory, em seu romance Le Morte D’Arthur, publicado originalmente em 1485, compilar e reformular diversos elementos das narrativas precedentes, dando à história a forma pela qual a conhecemos hoje.


Serializada em 12 volumes entre os anos de 1982 e 1985, nos Estados Unidos, a HQ Camelot 3000, escrita por Mike Barr e desenhada por Brian Bolland, é uma das muitas narrativas baseadas na obra de Malory. Quadrinizar o rei Arthur não é, por si só, um feito inédito (Príncipe Valente, HQ de Harold Foster, é uma das precedentes mais ilustres), mas a maneira pela qual os autores abordaram a saga arturiana é certamente original, se comparada às versões anteriores da história. Ao contrário destas, não se trata propriamente de uma adaptação do romance, mas de uma continuação.  Bolland e Barr ambientam a narrativa num apocalíptico ano 3000, quando uma invasão alienígena devasta o mundo; cabe a Arthur, despertado de seu sono por um jovem que foge dos extraterrestres, liderar a resistência terráquea e livrar o planeta dos invasores.

Aqui nós somos presenteados com um roteiro adulto, enxuto e coerente. A trama tem política, violência, corrupção e uma visão futurista apocalíptica onde a Inglaterra e todo o planeta estão à mercê dos desígnios de alienígenas que matam indiscriminadamente e não mostram piedade. Entretanto, isso pode esconder muito mais, principalmente se levarmos em conta as lideranças desses invasores.

Outro ponto polêmico é a abordagem da reencarnação. A Távola é reconstruída com os mais diferentes cavaleiros e há um caso onde um deles retorna como mulher. Barr dá um tratamento muito interessante a essa integrante dos cavaleiros e mostra os conflitos psicológicos por ela sofridos.
Mesmo se tratando de uma visão futurista do mundo, a religiosidade ainda está presente. Aliás, é a fé que se mostra capaz de incentivar mudanças de comportamento e também é a fonte de força de Arthur.

Quem já realizou uma experiência literária com A Piada Mortal sabe que Brian Bolland dispensa comentários. Ele traz um visual bem clássico à obra com seus personagens lindamente desenhados e não é possível imaginar outro ilustrador comandando o visual de Camelot 3000.
A história repleta de ação, sem sacrificar a complexidade de seus personagens clássicos. A história do Rei Arthur já foi contada de inúmeras maneiras, mas apenas Camelot 3000 ousou mostrar como seria o retorno deste personagem que até hoje povoa o imaginário não só da Inglaterra, mas do mundo todo de maneira excepcional.
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Sammylle Matheus

Amante da sétima arte. Fascinada na relação entre cinema, história e filosofia. Devoradora de quadrinhos, aprecia um bom clássico e combate o crime em Gotham City nas horas vagas.

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