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Análise | A Way Out: Game é a experiência multiplayer que precisávamos.

O multiplayer parece ser a nova tendência entre a atual geração de gamers, aparentemente jogar sozinho está ficando cada vez mais datado, o problema é que essas novas experiências cooperativas se preocupam exclusivamente em trazer conteúdos adicionais como armas, mapas, skins e se esquecem do mais importante, uma história. A equipe da Hazelight Studios, que em 2013 nos trouxe o belíssimo Brothers: A Tale of Two Sons, junto com a Electronic Arts perceberam essa falta e nos entregam A Way Out, um game cooperativo único com história envolvente.

Anunciado na EA Play de 2017, A Way Out foi considerado um dos melhores anúncios do evento, isso porque o game mostrava uma proposta fora dos padrões atuais, a ideia era trazer uma narrativa encontrada em games singleplayer, mas focada 100% em uma experiência multiplayer, onde os jogadores iriam depender um do outro para progredir na história.
O enredo traz dois protagonistas, Leo e Vincent, ambos são presidiários e unem-se por um desejo em comum, sair da prisão e buscar vingança contra um mafioso. A história não é lá original, mas acompanha-lá sob a visão de dois personagens diferentes a torna interessante. O relacionamento entre eles é muito bem construído, você acredita em suas motivações e sente durante o decorrer do game uma amizade se desenvolvendo. A vida pessoal dos dois é mostrada de maneira minuciosa te fazendo desfrutar de fortes sentimentos por eles, além de nos proporcionar momentos de ação, dramas e reviravoltas inesperadas que tornam a história marcante.
O game pode ser jogado em multiplayer cooperativo online ou local, os jogadores controlam cada um dos protagonistas, sempre se ajudando e tomando decisões juntos, que podem variar entre agressivas ou pacificas, dependendo da estratégia que queiram abordar. No geral, essa parceria funciona muito bem, pois a equipe de desenvolvimento foi cuidadosa para trazer um gameplay conciso, cada obstáculo foi bem pensado para que os jogadores pudessem se ajudar mutuamente. Os diálogo diferem de cada personagem, a tela é dividida meio a meio — na maioria das vezes na vertical, mas em alguns trechos avançados ela pode mudar para a horizontal. No caso das cutscenes, a tela em que a cena está sendo exibida aumenta, dando-lhe foco maior, enquanto a do outro diminui até a cena acabar, ou então, ela toma conta da tela inteira, podendo alternar de um para o outro, mas tudo depende de algum momento da história.
O gameplay oferece uma boa variedade de coisas para interagir no cenário, desde objetos aleatórios a conversas com outros personagens. No caso das conversas, se os dois jogadores interagem com alguém no mesmo momento, o game dará foco para aquele que interagiu primeiro, enquanto o outro terá o áudio levemente reduzido para não acontecer confusões (as legendas localizadas ajudam bastante nesses momentos). Temos alguns puzzles que não te fazem pensar muito, mas o modo cooperativo deixa-os divertidos, há também trechos de combate, e é nesse ponto que o game não tem uma boa execução, pois A Way Out tem uma jogabilidade truncada, que se sai bem nos momentos em stealth, mas que fica muito genérica e confusa nos combates. Felizmente, os combates são rápidos e ocupam uma mínima parte do game.
Os gráficos são bonitos, a modelagem dos personagens é muito bem feita, os ambientes (principalmente os fechados) são ricos em detalhes, a iluminação e o som ajudam a dar um realismo maior. Claro que existem games da atual geração muito superiores, mas vale deixar claro que A Way Out é um game indie, e para um indie ele está acima da média. A versão testada foi a padrão do Xbox One, graças a Electronic Arts que nos concedeu game para esta análise. No console da Microsoft houve alguns bugs, como objetos flutuando; npcs entrando no chão; luzes atravessando personagens ou até mesmo não conseguir interagir com algum objeto, mas raramente isso acontecia e, no geral, o game rodou liso e nenhum desses bugs interferiu nossa experiência. Os problemas podem ser resolvidos simplesmente com patch de atualização.
Por isso tudo, A Way Out é um cooperativo único, necessário para fugir desses multiplayers genéricos que temos visto ultimamente, mantém o foco no enredo e nas relações de seus personagens, trazendo momentos alucinantes e emocionantes em uma das mais inovadoras experiências que poderíamos usufruir atualmente, mas que dificilmente será revolucionária. De qualquer forma, é importante frisarmos que games Indies estão cada vez mais se sobressaindo aos games Triple A, pois têm a vantagem de uma liberdade maior para experimentar novas fórmulas que ultimamente vem dando certo. Que as grandes publishers continuem visando essas desenvolvedoras menores capazes de proporcionar grandes experiências como esta.
A Way Out está disponível para Playstation 4, Xbox One e PC.

 

 

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Wemerson Gomes

Seguidor da cultura geek. Marvete e DCnauta. Viajante da galáxia e um sobrevivente da montanha da perdição.

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