Crítica | Pantera Negra é divertido e politicamente reflexivo

Diversão e reflexão faz com que Pantera Negra seja um dos melhores filmes do Marvel Studios.
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É triste que em pleno ano de 2018 ainda batemos na tecla sobre contar com mais diversidade no cinema, mas parece que o primeiro passo já foi dado, pelo menos nos filmes de super heróis, pois assim como Mulher-Maravilha foi importante para a representação feminina, Pantera Negra é um prestígio a cultura africana e a Marvel Studios faz isso magistralmente, nos entregando um filme de super herói divertido com um subtexto mais aprofundado em questões políticas e sociais.

NÃO CONTÉM SPOILERS


Criado em 1966 por Stan Lee e Jack Kirby, Pantera Negra foi um dos primeiros super heróis negros nos quadrinhos. Sua primeira aparição foi na revista 52 do Quarteto Fantástico, que até então era a saga mais famosa da Marvel Comics na era de prata dos quadrinhos. Nascido em Wakanda, um país fictício escondido do mundo, localizado na África e super desenvolvido tecnologicamente devido ao metal mais poderoso do Universo Marvel, o vibranium, T'challa é rei e veste o manto do Pantera Negra herdado de seus ancestrais que também o vestiram como parte do reinado.


O filme traz uma grande fidelidade aos quadrinhos e percebemos isso logo em seu prólogo, que nos entrega um roteiro objetivo e fácil de entender, em apenas cinco minutos o telespectador compreende claramente o que é Vibranium, como é formada a cultura de Wakanda e o significado por trás do manto do Pantera Negra. E apesar de se passar após os eventos de Capitão América: Guerra Civil, não é preciso tê-lo assistido para estar por dentro da trama.

A direção é de Ryan Coogler, um jovem diretor que já tem uma bagagem importantíssima em hollywood, conhecido pelo seu estilo mais íntimo de direção como fez com: Fruitvale Station e Creed, filmes que passam um grande peso dramático ao abordar questões políticas e sociais. Em Pantera Negra não é diferente, apesar de estar lidando com um blockbuster de super herói, o diretor consegue incluir seu estilo de direção mesmo que mais suavizado, nesse sentido, é o filme mais sério e político da Marvel. Ainda sim, a formula Marvel está presente, há momentos engraçados e frenéticos com piadas e muita ação, afinal, se trata de um filme de herói, o diferencial aqui é que tudo é bem pontual, sem a necessidade de exageros e com o foco maior no desenvolvimento dos personagens.



Em Capitão América: Guerra Civil, vimos um T'Challa (Chadwick Boseman) imponente, forte, com habilidades incríveis e sobre-humanas, já em Pantera Negra, além dessa imponência, vimos também o lado mais humano do personagem, com sensibilidade, insegurança e dúvidas, dando-lhe carisma suficiente para nos identificarmos. O mesmo vale para Killmonger (Michael B. Jordan) que é o melhor vilão da Marvel desde o Loki. Suas motivações são humanas e compreensíveis, motivada pela vingança em querer exterminar um sistema intolerante e conservador, sempre com um roteiro cuidadoso que nos leva a frases fortemente impactantes que requerem um pensamento mais apurado da situação, fazendo com que o telespectador e até mesmo o herói repense os termos "herói e vilão". Recorda levemente alguns diálogos do Coringa em Batman: O Cavaleiro das Trevas.


O alívio cômico fica a cargo principal da personagem Shuri (Letitia Wright), a irmã de T'Challa. Ela é jovial, elétrica a ponto de deixar todos os momentos em que está em cena empolgantes. Shuri é inteligente o bastante para criar e manter toda a tecnologia usada no traje do Pantera Negra e em Wakanda. Outro que está bem engraçado é Ulysses Klaw/Garra Sônica (Andy Serkis), ele é louco e exagerado, o ator está extremamente à vontade com o personagem e o roteiro, isso abre espaços para improvisos e várias maneiras de atuação, que, sem dúvidas, ficaram excelente.


Outro destaque vai para Okoye (Danai Gurira), ela é nervosa e muito forte, lidera as Dora Milaje, o maravilhoso exército de Wakanda composto apenas por mulheres, e nos entrega as melhores cenas de ação do filme. Também temos a Nakia (Lupita Nyong'o), ela é uma espécie de espiã que tem grande importância para a trama e para a personalidade do herói, além de esbanjar o charme e a delicadeza da cultura africana.



O ambiente do filme é uma mistura da iconografia tribal africana com a tecnologia futurista de Wakanda, uma junção criativa que dá uma identidade única a este universo que é vivo e orgânico. Aqui, você vê o mercado da cidade, as escolas, os meios de transporte (você acredita nesse mundo), diferentemente de Asgard, por exemplo, que não mostra absolutamente nada além do trono de Odin e da ponte do arco-íris. Essa mescla entre o tribal e o tecnológico também funciona perfeitamente no figurino, onde temos lanças capazes de destruir carros, escudos e armaduras impenetráveis em vestes elegantes com cores vivas, seguido por uma fantástica trilha sonora que mistura músicas contemporâneas como o Rap e da cultura ritual africana.



Pantera Negra é o primeiro blockbuster de Coogler, portanto, o diretor é novato no quesito efeitos visuais, e isso fica muito aparente no filme, sendo seu único ponto fraco. As cenas de ação mais moderadas que requerem efeitos práticos e coreografias são excelentes, deixa o telespectador tenso e vibrante, mas quando corta para corpos pulando de um lado pro outro, é aí que tudo fica confuso e feio. Apesar de ser um longa-metragem de super herói diferenciado, mais profundo, ainda sim é um filme de herói, então o momento mais esperado do terceiro ato que é a grande batalha final, é simplesmente irrelevante para o filme. A grandeza de Pantera Negra vai além das cenas de ação, mas a falta de um bom CGI é algo que não deve ser mais tolerado, afinal, já estamos em 2018.

O diretor Ryan Coogler traz a profundidade que os filmes do gênero e principalmente os da Marvel precisavam, entregando um roteiro redondo que, ao mesmo tempo em que trabalha o fantasioso também abre espaço para discussões sérias. Isso só foi possível porque Coogler abandonou a mesmice genérica de quase todos os filmes desse gênero e deu o foco maior a seus personagens e suas motivações, não se trata de herói e vilão, e sim de dois pensamentos divergentes sobre a visão do mundo. Dessa forma, Pantera Negra entretém tanto como um filme de super herói, quanto um filme reflexivo, além de ser um grande passo para o Universo Cinematográfico da Marvel e para Hollywood como um todo.

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