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Review | Stranger Things 2 traz uma trama maior, mas sem perder sua essência


A segunda temporada de Stranger Things foge das armadilhas de sequências onde tudo é forçado para que seja maior. Sim, a temporada é muito maior, mas não ao ponto de forçar a barra com momentos mirabolantes, tudo é muito contido, e o foco permanece essencialmente em seus personagens carismáticos.


O que mais chama atenção nessa temporada, sem dúvidas, é as consequências que vieram após os eventos da temporada anterior, apesar de manter a essência infantil aventuresca pela qual nos apaixonamos, Stranger Things está muito mais séria e sombria, cada personagem sofre de um trauma e briga constantemente contra isso, o que os deixam ainda mais interessantes, em especial os personagens Will Byers (Noah Schnapp), Joyce Byers (Winona Ryder), Chief Hopper (David Harbour), Eleven (Millie Bobby Brown) e Nancy (Natalia Dyer).


A série adiciona alguns novos personagens que agregam positivamente a trama, como Bob Newboy, personagem de Sean Austin que traz um alivio cômico divertido e um dos momentos mais emocionantes da temporada. A personagem Maxine (Sadie Sink) surge como uma peça necessária para compor a gangue de Will, Mike (Finn Wolfhard), Lucas (Caleb McLaughlin), Dustin (Gaten Matarazzo) e Eleven, que ganha um arco solo ainda mais interessante nessa temporada, onde podemos descobrir mais sobre sua vida. Também temos o irmão de Maxine, Billy (Dacre Montgomery) assumindo um papel de “vilão’’, que, apesar de não ter muito tempo em cena, a ideia de um antagonista humano torna-se muito bem-vinda. Além do Dr. Owens (Paul Reiser) e do especialista em teorias da conspiração Murray Bauman (Brett Gelman).


O foco da trama principal é novamente Will, mas a busca para encontra-lo é substituída pela busca para entender o que está havendo com ele. Devido a sua terrível experiência no mundo invertido, Will sofre de um trauma que o deixa entre as duas realidades, e acaba nos revelando uma nova ameaça (O Monstro das Sombras). Essa nova ameaça é apresentada já nos primeiros episódios, mas isso não tira a sensação de medo do desconhecido, a série trabalha bem em te deixar apreensivo, mérito que é dado não apenas à direção e roteiro, como também ao ator Noah Schnapp. Seus medos são transmitidos de maneira magistral, fazendo com que o telespectador sinta na pele o que ele está passando.


A nostalgia oitentista volta a compor os cenários, os figurinos e principalmente a trilha sonora espetacular, nomes como Bon Jovi, The Police, The Clash, Queen estão presentes. Não poderíamos deixar de mencionar também as referências que estão presentes na temporada, como Mad Max, Caça-Fantasmas, O Exterminador do Futuro, Star Wars e várias outras, além de referências a própria série, como o pisca pisca usado pela Joyce Byers (Winona Ryder) na primeira temporada.  Stranger Things brilha ao retratar os anos oitenta e brilha também em seus efeitos visuais, o mundo invertido nunca esteve tão assustador e bonito ao mesmo tempo, o cenário é composto por uma deterioração com cores cinzentas, azuladas e avermelhadas, criando um ambiente único.

Os Irmãos Duffer. 

No todo, porém, Stranger Things traz sua melhor temporada até aqui, a ameaça é maior e muito mais perigosa, mas os irmãos Duffer (diretores e roteiristas) sabem que a série não precisa de exageros para ser grandiosa, por isso, o foco é mantido em seus personagens que acabam deixando tudo mais contido. O clima oitentista é um deslumbre aos olhos e aos ouvidos, além dos belos efeitos visuais em um mundo único e assustador.


Nota:


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