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Crítica | Tempestade: Planeta em Fúria, aborda a trama numa visão mais política


Os filmes apocalípticos já tiveram tempos mais gloriosos no cinema, mas pelo excesso de repetição da forma como as tramas eram retratadas, se tornou mais exaurido. E por saber disso a Warner juntamente com a direção de Dean Devlin, decidiu retornar com o gênero, mas de uma forma de visão diferente na trama. Tempestade: Planeta em Fúria, ou mais conhecido pelo seu título original Geostorm, chegou aos cinemas essa semana com uma produção não somente focada em grandes destruições climáticos ou em uma drama voltada a sobrevivência dos protagonistas na história, mas sim centralizada em quem está tentando impedir ou até favorecer para os efeitos catastróficos no planeta. 

CONTÉM O MÍNIMO DE SPOILERS POSSÍVEL



O longa se passa numa realidade bem próxima, na qual um engenheiro cientista chamado Jake Lawson (Gerard Butler) desenvolve uma rede de satélites apelidado como ‘Dutch Boy’, um sistema que ajuda a controlar e estabilizar o clima do planeta. Mas após anos de dedicação, Jake é afastado da função devido a questões políticas e, em seu lugar, é nomeado seu irmão caçula, Max Lawson (Jim Sturgess). Três anos depois, quando a coordenação do ‘Dutch Boy’ está prestes a ser transferida dos Estados Unidos para a ONU, falhas extremas no sistema dos satélites fazem o clima do Planeta se descontrolar resultando em efeitos catastróficos em todo o mundo. Jake é então convocado para descobrir o que está acontecendo e, enviado para a estação, colocando-o em desafio para desvendar uma imensa conspiração ao mesmo tempo em que precisará deixar para trás os atritos existentes com seu irmão Max. 

Estação Dutch Boy.

Quando os filmes tratam assuntos como este, sobre o aquecimento global, os impactos decorrentes do efeito estufa na natureza e até onde os resultados desse desequilíbrio pode acontecer, sempre nos faz refletir sobre nossas ações e as ações dos nossos governantes diante da tentação do poder e da ganância que pode ainda mais prejudicar o mundo. E é nisso que Tempestade: Planeta em Fúria aborda em sua trama. Fazendo-o diferenciar de seus anteriores e o deixando um pouco mais atrativo e interessante. 

Personagem Cheng Long (Daniel Wu).

Na trama está presente muito os conflitos políticos, a corrupção, mas também o drama familiar diante das profissões que os protagonistas exercem. A maior parte do tempo a história se passa no espaço, na estação internacional Dutch Boy, mas sempre mantendo a ligação com os conflitos que acontecendo simultaneamente na terra. 

Nos primeiros momentos do filme deixa claro a personalidade dos personagens: Jake é desobediente, mas de opinião forte. Max é disciplinado e pacifista. Apesar da questão hierarquia existente entre eles, a conexão de irmãos, da preocupação do vínculo familiar existente na relação dos personagens faz a união dos dois terem um brilho. 

A relação paterna também é representada em um só momento com Jake com sua pequena filha Hannah (Talitha Bateman), mas com certeza é um do momento mais marcante e emocionante no filme. Aliás em falar sobre os personagens e a atuações do elenco, a atriz Talitha, nos surpreende com a comoção que a cena de pai e filha nos provoca. 

Agente Sarah Wilson (Abbie Cornish)  e Presidente Palma (Andy García). 

Personagem Leonard Dekkom (Ed Harris).

Gerard Butler não está diferente de seus papéis convencionais, um líder, durão, com o ar de convencimento em alguns momentos que traz um certo carisma como personagem principal na trama. Agora o que particularmente não esperava estar no elenco são os atores Ed Harris (da série ‘Westworld), como Dekkom e Andy García (de ‘O Poderoso Chefão Parte III’), como o Presidente Palma, ambos tiveram poucos momentos no filme, mas não menos importantes. 

Já a presença feminina forte ficou para a atriz Abbie Cornish, agente Sarah Wilson e par romântico de Max, trouxe uma presença convicta e forte em uma organização restrita como a Segurança Pessoal do Presidente. Além de mostrar que as mulheres também são capazes de dar um show em cenas de perseguição.

Max Lawson (Jim Sturgess) e Sarah (Abbie Cornish).

O filme não contém momentos arrastados, apenas alguns diálogos com clichês desnecessários, mas que não prejudica tanto a ponto de deixar a trama desinteressante. Os efeitos especiais não são extravagantes, mas bem realistas, o que surpreende mesmo é a grandeza e os detalhes que construíram da estação Dutch Boy, além da ótima captação e ligação de um ambiente para outro na filmagem do filme. 

Tempestade: Planeta em Fúria renova em seu gênero de filmes apocalípticos e catastróficos, trazendo uma visão mais política, mas que ainda assim te faz refletir e muito sobre o assunto, aspectos presentes na trama sobre a ganância diante do mero caos, infelizmente também são até vistas nos dias de hoje. Então se você pretende conferir, mas está com receio de não ser algo diferente dos filmes ‘2012’(2009) e ‘O Dia Depois de Amanhã’ (2004) te garanto, pode conferir não é igual. 

Nota:

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