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Aronofsky no Brasil | Entrevista Coletiva com o diretor de Mãe!



Essa semana mais precisamente na terça-feira (dia 19), no Cinemark Shopping Eldorado em São Paulo, o cineasta Darren Aronofsky concedeu uma entrevista coletiva com a imprensa, entrevistado pelo jornalista Roberto Sadovski, e organizado pela produtora Paramount Pictures, para falar um pouco sobre a sua nova produção Mãe! que chegou aos cinemas nesta quinta-feira (dia 21). Aronofsky é conhecido por dirigir filmes de grande profundidade ideológica como Cisne Negro, O Lutador, Fonte de Vida e outros, que foram bem reconhecidos e até vencedores em premiações cinematográficas. 

Mãe! vem trazendo grandes debates sobre a visão ambiental, social e religioso, além de dividir opiniões e dúvidas sobre o filme. Aronofsky mostrou que não é somente inteligentíssimo ao dirigir suas produções, como também tem uma capacidade enorme de transformar em apenas numa produção, tamanha complexidade. 

Com muita simpatia ele falou sobre as questões e como ele se inspirou na produção de Mãe!, abortou tanto os aspectos de interpretação da trama e dos personagens, filmografia, e até mesmo inspirações pessoais dele. Já aviso que alguns relatos CONTÊM SPOILERS, então indico que leia a entrevista DEPOIS de assistir ao filme. Lembrando que já fizemos a Crítica sem spoilers do filme, confira aqui. Então vamos lá: 

Seu elo ao Cinema: 

Aronofsky fala que o empolgante em suas obras é que ele nunca era ele, e sim era seus personagens.

“Eu sempre me coloco em todos os filmes que faço. Eu era a bailarina em Cisne Negro, eu era o lutador em O Lutador, eu era o conquistador em Fonte da Vida, eu era o mago da matemática em Pi, mas nunca era eu. É sempre uma parte sua, que você pega algo verdadeiro de si, estica e puxa até que se torne, você sabe, até que se torne uma personagem para contar a história. Então, para mim, eu acho que estou mais conectado com a história de Jennifer, foi lá que coloquei minha emoção, mas existem elementos que coloquei na personagem de Javier Bardem, também”, disse o diretor.

Imagem: Mauricio Santana/ Agência Febre.


Mãe! e suas camadas de interpretação:

O diretor dize que queria mostrar a representação de Mãe como nossa mãe, como o nosso lar em uma visão mais humana.

“Eu sempre quis contar uma história não sobre a minha e nem a sua, mas a nossa mãe, a mãe natureza, nossa casa, nosso ambiente e enfatizar o tema a nível humano. A mensagem de que temos de cuidar do nosso planeta está nas escrituras, e até o Papa tem falado sobre essa questão. Em algum momento, parece que nos esquecemos sobre ela”.

Tempo de desenvolvido do roteiro de Mãe:

Aronofsky também disse que a primeira versão do roteiro levou apenas cinco dias para ficar pronta e que se inspirou em cantores e compositores que são capazes de pegar uma simples emoção e criar toda uma obra em torno daquilo.

Interpretação de Jennifer Lawrence:

A atriz foi um dos principais assuntos da coletiva, de como foi desenvolver a personagem e a intensidade sobre ela na trama:

“A Jennifer foi incrível, ela possui sua própria técnica, algo muito poderoso... ela é como um interruptor de luz, basicamente ela liga quando você grita ação, e desliga quando você grita corta, não importa o quão é intensa a cena seja, ela sempre consegue fazer isso”, disse Darren. 

Imagem: Mauricio Santana/ Agência Febre.

A relação humana, ambiental e bíblica que a trama envolve:

Quando questionado sobre o conteúdo esperançoso não presente só em Mãe! mas em seus outros filmes, onde as personagens podem alcançar uma espécie de redenção em meio a trágicos acontecimentos, e sua relação com a própria humanidade, Aronofsky se mostra esperançoso no que diz respeito a humanidade:

“Acho que o sentimento por trás dessa obra (Mãe!) é a esperança, eu creio que ao mostrar a tragédia você pode efetivamente revelar a luz.”

Com certeza a afirmação mais esclarecedora seja a relação que se mostra clara para o diretor referente a humanidade com o planeta, sendo que Aronofsky também cita trechos da Bíblia para mostrar a importância de cuidarmos com responsabilidade do meio-ambiente.

As cenas mais difíceis:

O diretor relatou que os momentos de gravações mais difíceis foram as cenas finais, uma das produções mais complexas que o cineasta já enfrentou produzir.

“Eu queria passar o pacto através de sons, como as cenas de tiros, demonstra algo atordoado... até o elenco ficou assustado na hora.”

Aronofsky também dize que não pensou no cenário durante a escrita do roteiro.

O mistério do líquido amarelo:

SPOILER! Em Mãe! a personagem de Jennifer Lawrence nos momentos que ela se sente mal (não dá pra saber o que realmente ela tava sentindo), ela ingere um líquido, como um remédio misterioso para aliviar aquele sintoma desconhecido. Foi questionado ao diretor o que seria este líquido, e infelizmente ele nos dá um balde de água fria.

“Não irei responder (risos). Vou levar este segredo para o túmulo”.

E é com este segredo que nunca será revelado, que o diretor Aronofsky marca Mãe! como uma grande obra de sua carreira. O filme já está nos cinemas e promete gerar muitos debates.

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