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Crítica | Okja, uma bela obra com uma conscientizadora mensagem


Para o mercado tradicional cinematográfico a novidade de trazer grandes produções fora das telonas das salas de cinema ainda é algo muito polêmico, isso ocorreu durante o Festival de Cannes de 2017, um público reservado do festival não aceitou que um filme venha de um serviço streaming em vez do cinema tradicional. Esse pensamento é totalmente arcaico dos responsáveis pelo festival, claro que ainda temos que dar sempre valor ao cinema tradicional, mas essa atitude impede a modernização do cinema de uma forma que não enxerga um filme como arte se ele não for exibido em uma tela gigante. 

Mas isso não fez a Netflix desistir e muito menos fazer esta produção não ser incrível, mas sim uma verdadeira obra que entra para mais um dos seus trabalhos brilhantes e audaciosos do cineasta, Bong Joon-ho, um diretor sul-coreano capaz de transformar e desenvolver suas produções em uma perfeita sintonia com os elencos internacionais.


A trama tem início em 2007 em Nova York, em um encontro com a imprensa e é apresentado a empresa Mirando Corporation, uma indústria criada pela Lucy Mirando (Tilda Swinton) com um ideal de renovação no mercado agropecuário. Mirando então anuncia uma nova espécie de superporcos, geneticamente modificados, com uma falsa ideológica de que esta nova produção com animais fabricados geneticamente é a alternativa mais correta para um meio mais sustentável. Cada superporco será distribuído para um grupo seletivo de fazendeiros locais, que ficaram 10 anos com o animal até o festival final e inauguração dessa grande produção com o maior superporco já criado para depois ser abatido para a produção dessa nova carne.

Um deles são a superporca Okja que é criada nas montanhas por uma garota sul-coreana Mikha (Seo-Hyun Ahn) e seu avô. Mikha, porém, jamais esperava que tal empresa viria para buscar Okja depois de tanto tempo. Okja então é levada rumo à Nova York pelo zoólogo Dr. Johnny Wilcox (Jake Gyllenhaal), deixando a garota desolada e revoltada. Ela decide então ir atrás e salvar custe o que custar seu bichinho de estimação do terrível destino. Durante o processo, Mikha cruza caminho com membros da AFL (Frente de Libertação Animal) que juntamente com a garota vão tentar acabar com projeto absurdo da Mirando.



O filme retrata muito os maus tratos que os animais sofrem atualmente, que a falta de amor e respeito na relação humana com os animais está muito ausente, e que o mundo comercializado está tão preocupado com a fórmula da saciarão perfeita que é capaz de tudo, até de tomar atitudes terrivelmente enérgicas. 

Okja é uma superporca totalmente diferente dos outros da sua espécie, com uma sensibilidade e profundo sentimento, ela mostra ser um animal de grande inteligência, com um carisma e gentileza única. Mikha é uma garota que tem uma enorme conexão com Okja e também com a natureza, de uma força de caráter e determinação incrível. Além da ótima atuação da pequena atriz coreana Seo Hyun que interpreta a personagem, ganha força a cada passo da protagonista na história. 

A atriz Tilda Swinton fez uma incrível atuação dupla de Lucy e Nancy Miranda, mesmo diante da complexidade da interpretação, ela soube dividir perfeitamente o retrato humano de uma e corporativo de outra. Jake Gyllenhaal provou que sabe ser um ator versátil, seu personagem tem uma personalidade de intenso descontrole emocional misturando com um sarcasmo exagerado da parte do ator, mas mesmo assim ele cumpriu perfeitamente a sua atuação diante do roteiro. Além dos demais os atores coadjuvantes Lily Collins e Paul Dano que fazem parte da organização AFL mostraram uma intensa sensibilidade e força diante de seus personagens.


A produção, filmagem e efeitos especiais são algo de serem louvados, o filme mostra uma constante movimentação dando a sensação de que o filme não para em momento algum, mesmo assim a montagem e ângulos nas filmagens são suaves, tendo uma clareza nas cenas, em uma ampla imagem quase em todos os momentos. Apenas nos mais tensos, a proximidade nas cenas, passando o desconforto presente naquele instante, principalmente nos momentos de tristeza entre Okja e Mikha.

Okja retratada uma triste realidade, mas também traz consigo uma bela e conscientizadora mensagem, trazendo à tona um olhar mais humano de uma forma delicada e impactante sobre os maus tratos aos animais e também a natureza.

Lembrete: Tem uma cena Pós-Créditos.

Nota: 



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