Crítica | Estrelas Além do Tempo


Já faz um tempinho que lançou o filme Estrelas Além do Tempo, mas mesmo assistindo apenas agora rs precisava falar pra vocês sobre este filme incrível, que vale a pena conhecer. Principalmente que o assunto sobre preconceito, direitos iguais para todos, inclusivamente para as mulheres é ainda hoje um dos grandes problemas da sociedade, o filme nos passa um linda lição sobre isso.


A História

O filme é baseado nas histórias reais das três mulheres que mudaram o destino da Nasa: Katherine Johnson (interpretada pela Taraji P. Henson), Dorothy Vaughan (Octavia Spencer) e Mary Jackson (Janelle Monáe). Elas se destacam pela impressionante habilidade matemática que ajuda nos cálculos para  as viagens espaciais que a Nasa executada.



O filme começa contando a história de Katherine como a criança prodígio, uma menina negra inteligente e com muita facilidade para números e contas complexas. Em seguida,  vemos já adultas, interpretada pela ótima Taraji P. Henson, parada em uma estrada com o carro quebrado, ao lado de suas amigas e colegas de trabalho Dorothy e Mary. As três trabalham como ‘computadores’ na NASA, quando esses aparelhos eram mulheres negras, responsáveis por fazer os complicados cálculos.



Mas claro para chegar aonde elas chegaram foi nada, nada fácil. O filme retrata os anos de 1961 e 1962, uma época marcada por protestos pelos direitos civis da população negra, não é difícil fazer comparações com os dias de hoje. Além do extremo e absurdo preconceito aos negros mostrado, a falta de direitos das mulheres de estudar, principalmente as negras era enorme. Como no caso da Mary que foi a primeira aluna e negra a participar do Programa de Treinamento de Engenheiros, que até então só era permitido aos brancos. Um exemplo claro disso ocorre ainda na cena da estrada, quando um policial branco encosta o carro e pede as identidades das três mulheres, as quais congelam ao vê-lo se aproximando. Mais de 50 anos depois, os negros continuam temendo que a polícia tire suas vidas.

Dentro da agência espacial, o trio enfrenta o peso de ser mulher e negra: o salão onde todas as mulheres negras trabalham é afastado dos demais, assim como o banheiro que precisam utilizar, além de não terem acesso a determinadas informações por conta do gênero.





Momentos marcantes do filme

Umas das cenas que mais marcantes no filme, é após mais uma ida ao banheiro, dessa vez, embaixo de chuva, que Katherine tem a gota d’água. Ao ser perguntada por seu chefe, Al Harrison (Kevin Costner), aonde vai todos os dias, ela se revolta, cansada das humilhações as quais é submetida, se desabafa desesperadamente. O que leva seu superior a acabar com os banheiros separados para negros e brancos. “Aqui, na NASA, nosso xixi tem a mesma cor”, ele diz. É de arrepiar, fiquei imaginando todos os atores na cena como ficaram tensos e emocionalmente mexidos com a cena interpretado brilhantemente pela atriz Taraji P. Henson.



Além das cenas que retratam o cotidiano delas como mães que lutam para dar o direitos que elas não tem aos seus filhos, é emocionante. Todas elas mostram mulheres de garra, lutadoras, inteligentes, que lutam bravamente e sabiamente pelo seus direitos e por todos. As atrizes retrataram talentosamente os papéis, nos fazendo ficar emocionados, orgulhosos por elas.



A Produção




A produção do filme é incrível, principalmente a fotografia e o figurino é impecável, o figurino mostra a simplicidade sem deixar a elegância delas. O estilo retrô está presente tanto no vestuário quando no cenário do filme. A fotografia e filmagem do filme sempre são feitas em imagens amplas, cores suavemente colocadas, mostrando as principais características da época de uma forma delicada e marcante. O elenco é incrível principalmente as três atrizes principais elas estavam em perfeita harmonia e conexão, os atores masculinos Kevin Costner (do filme O Guarda-Costas) e Jim Parsons( o protagonista da série Big Bang: A Teoria) foram ótimos nos papéis e também neste filme temos o ator vencedor do Oscar de Melhor Ator Coadjuvante do filme Moonlight, Mahershala Ali, que fez o papel do namorado da Katherine.



Conclusão



“Estrelas Além do Tempo” é um filme divertido, mas que também emociona, e nos faz pensar no quanto caminhamos e no quanto ainda precisamos caminhar para construir uma sociedade igualitária.


50 anos, é bem possível imaginar que as reais Katherine Johnson, Dorothy Vaughan e Mary Jackson não imaginavam o quão longe iriam: a primeira, que ainda é viva, participou da missão que levou o homem à Lua, ganhou um prédio na NASA com seu nome, recebeu uma Medalha da Liberdade, viu um negro ser presidente de seu país e  esteve na SAG Awards com as atrizes do filme falando sobre sua história. A segunda, tornou-se a primeira supervisora negra da história da NASA e é considerada uma das mentes mais brilhantes que já passaram na agência espacial. E a terceira foi a primeira negra americana a formar-se como engenheira aeronáutica.



A história e a  contribuição dessas mulheres para a história dos Estados Unidos não só é importante, como merecia ser contada. E melhor ainda, elas estão inspirando meninas a se interessar em ciência e tecnologia. Isso por si só já é motivo para que esse filme fosse feito e ter merecido honrosamente ganhado o prêmio de Melhor Elenco na SAG Awards deste ano.



Com certeza, uma filme, uma para vermos várias vezes e passarmos para gerações.


Nota: 




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